
A verdade revelada da Santíssima Trindade está, desde o início, na base da fé viva da Igreja, principalmente no ato do Batismo. Ela encontra a sua expressão na regra da fé batismal, formulada na pregação, na catequese e na oração da Igreja. Estas formulações encontram-se já nos escritos apostólicos, como esta saudação na liturgia eucarística: "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós" (2 Co 13,13; cf. 1 Co 12,4-6; Ef 4,4-6). Esta referência é retirada literalmente do ponto 249 do Catecismo da Igreja Católica.
A celebração litúrgica da Solenidade da Santíssima Trindade convida-nos a mergulhar no próprio coração da nossa fé. Neste dia, a Igreja chama-nos a contemplar o Amor infinito que une o Pai, o Filho e o Filho de Deus. Espírito Santo.
A Igreja dedica o domingo seguinte a Pentecostes para honrar Deus na sua unidade e trindade. Não estamos a celebrar um conceito abstrato, mas um mistério da comunhão. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É a fonte de todos os outros mistérios da fé.

1) Qual é o mistério central da fé e da vida cristã?
O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são baptizados Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
2 - Pode a razão humana, por si só, conhecer o mistério da Santíssima Trindade?
Deus deixou vestígios do seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade do seu ser como Santíssima Trindade é um mistério inacessível apenas à razão humana e mesmo à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Este mistério foi revelado por Jesus Cristo, É a fonte de todos os outros mistérios.
3) Como é que a Igreja exprime a sua fé trinitária?
A Igreja exprime a sua fé trinitária confessando um só Deus em três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. As três Pessoas divinas são um só Deus, porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. As três são realmente distintas umas das outras devido às suas relações recíprocas: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.
4) Como actuam as três Pessoas divinas?
Inseparáveis na sua única substância, as Pessoas divinas são também inseparáveis na sua ação: a Trindade tem uma única e mesma operação. Mas, na única ação divina, cada Pessoa está presente do modo que lhe é próprio na Trindade. «Meu Deus, minha Trindade que eu adoro... faça com que a minha alma esteja em paz. Fazei dele o vosso céu, a vossa morada predileta e o lugar do vosso repouso. Que eu nunca vos deixe sozinho nele, mas que eu esteja lá inteiramente, plenamente desperto na minha fé, na adoração, entregue sem reservas à vossa ação criadora» (Beata Isabel da Trindade).
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1 - A importância da Trindade na vida e na pregação de São Josemaria. 2 - A homilia Para a santidade. 2. a homilia Para a santidade. Unidade e Trindade. 4. a “trindade da terra” e a trindade do céu. 5. as devoções trinitárias.
Na sua pregação São Josemaría foi sempre ao essencial, aos mistérios centrais da nossa fé e, por conseguinte, as suas considerações, de uma forma ou de outra, têm sempre como horizonte o mistério da Trindade: o amor de Deus Pai que dá o seu Filho, o amor do Filho que o leva a oferecer a sua vida em sacrifício e a ação santificadora do Espírito. Toda a sua doutrina espiritual é profundamente trinitária e cristológica.
1) A importância da Trindade na vida e na pregação de São Josemaria
Como atestam os seus escritos espirituais, São Josemaría Desde muito cedo, teve uma relação calorosa com cada uma das três Pessoas divinas, sublinhando a distinção entre elas segundo as caraterísticas que manifestam na história da salvação: o Pai é a fonte e a origem de tudo; o Filho, o Verbo do Pai que se faz homem para que os homens se tornem filhos de Deus; e o Espírito Santo é o Santificador, aquele que une os homens a Deus, tornando-os um com Cristo.
Uma das caraterísticas que São Josemaría No seu itinerário espiritual, sublinhou, com grande emoção interior, a filiação divina e, consequentemente, a paternidade de Deus. Numa homilia de abril de 1964, confidenciou: “A minha vida levou-me a saber que sou sobretudo um filho de Deus e experimentei a alegria de entrar no coração do meu Pai” (AD, 143).
Referia-se à intuição sobrenatural com que percebeu a alegre realidade da filiação divina e, consequentemente, da paternidade de Deus. Esta paternidade aparece já nos seus Apuntes íntimos em Santo Rosário e em Caminho, como a verdade que serve de fundamento à sua vida espiritual.
A Palavra está presente em São Josemaria, sobretudo como Verbo encarnado, com um nome carinhosamente humano: Jesus; é a Sabedoria e a Palavra do Pai, uma Palavra cheia de amor, pois é “o Verbo do qual procede o amor” (ECP, 162). Com o seu “Coração de carne, com um Coração semelhante ao nosso, que é prova segura de amor e testemunha constante do mistério indizível da caridade divina” (ibidem). O único caminho para a Trindade-Deus é precisamente a Humanidade do Senhor (cf. AD, 300-303).
Na vida espiritual de São Josemaria, esta grande “descoberta” interior teve lugar entre 22 de setembro e 17 de outubro de 1931. No outono de 1932 deu-se outra “descoberta”, também de consequências profundas e duradouras na sua vida interior e no seu pensamento teológico: a importância da ação do Espírito Santo na alma. Pedro Rodríguez oferece-lhe um texto, tirado dos Apuntes íntimos, de grande elevação mística.
Nela, S. Josemaria descreve a forma como percebe a importância da presença do Espírito Santo na alma: “Até agora, sabia que o Espírito Santo habitava na minha alma, para a santificar.... Mas não compreendia essa verdade da sua presença (...) Sinto o Amor dentro de mim: e quero tratá-lo, ser seu amigo, seu confidente..., facilitar-lhe o trabalho de polir, de arrancar, de acender (...) - Objetivo: frequentar, se possível sem interrupção, a amizade e o trato amoroso e dócil do Espírito Santo. Veni Sancte Spiritus!...” (CECH, p. 270; cf. F, 514).

Quando São Josemaria fala de Deus, pensa sobretudo no Deus-Trindade. Isso vê-se, por exemplo, na sua leitura dos primeiros capítulos do Génesis: “A Trindade enamorou-se do homem, elevou-o à ordem da graça e fê-lo à sua imagem e semelhança (Gn 1, 26); redimiu-o do pecado (...) e deseja habitar nas nossas almas: aquele que me ama observará os meus ensinamentos e meu Pai amá-lo-á, e nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada (Jo 14, 23)” (ECP, 84).
A liberdade humana que brota da liberdade que existe na Trindade. Eis um texto muito expressivo extraído de uma homilia intitulada Liberdade, dom de Deus: “Em todos os mistérios da nossa fé católica vibra este hino à liberdade. A Santíssima Trindade faz surgir do nada o mundo e o homem, numa livre efusão de amor. O Verbo desce do céu e toma a nossa carne com este selo estupendo da liberdade na submissão: Eis que venho, como está escrito a meu respeito no princípio do livro, para fazer, ó Deus, a tua vontade (Heb 10,7)” (AD, 25).
Quando São Josemaria descreve o amor de Deus pelo homem, recorda muitas vezes que esse amor é trinitário. Encontramos uma passagem particularmente eloquente sobre a Trindade numa homilia proferida na Quinta-Feira Santa de 1960, na qual dedica um amplo espaço a falar da sua relação com a Eucaristia: a «corrente trinitária de amor pelos homens perpetua-se de modo sublime na Eucaristia» (ECP, 85). Aqui, no coração do mistério cristão, a manifestação do amor de Deus pelos homens atinge também o seu ponto culminante: «Toda a Trindade está presente no sacrifício do Altar. Por vontade do Pai, com a cooperação do Espírito Santo, o Filho oferece-Se em oblação redentora» (Catecismo, 86).
Nestes parágrafos, São Josemaria afirma verdades que lhe são muito caras, tanto no que diz respeito à celebração da Santa Missa como à natureza do sacerdócio ministerial: a liturgia, especialmente a Santa Missa, é o mais importante de tudo. obra Trinitatis, A missa - insisto - é uma ação divina, trinitária, não humana.
O padre que celebra e serve o desígnio do Senhor, emprestando o seu corpo e a sua voz; no entanto, não trabalha em seu próprio benefício, mas in persona et in nomine Christi, na Pessoa de Cristo e no nome de Cristo» (ibidem). Ao celebrar, o sacerdote entra, por assim dizer, na corrente do amor trinitário, precisamente porque, actuando na pessoa e no nome de Cristo, oferece o holocausto ao Pai com a santificação do Espírito Santo (cf. ECP, 86).
A forma mais direta de lidar com a Santíssima Trindade encontra-se na Santa Missa: «Ao assistir à Santa Missa, aprenderá a lidar com cada uma das Pessoas divinas: o Pai, que gera o Filho; o Filho, que é gerado pelo Pai; o Espírito Santo, que procede de ambos. Ao tratar com qualquer uma das três Pessoas, tratamos com um só Deus; e ao tratar com todas as três, com a Trindade, tratamos igualmente com um só Deus verdadeiro e único» (ECP, 91).

2. A homilia Rumo à santidade
É muito ilustrativo o que se diz na homilia Para a Santidade sobre a importância que tem no pensamento de S. Josemaria a contemplação da Santíssima Trindade. Nesta homilia, descreve as linhas gerais do caminho do homem para Deus. Depois de ter falado da vocação universal à santidade, da oração, da presença de Deus e da relação com Nosso Senhor Jesus Cristo, acrescenta: «Para nos aproximarmos de Deus, devemos tomar o caminho correto, que é a Santíssima Humanidade de Cristo» (AD, 299). O caminho para a Trindade deve ser percorrido em estreita união com Cristo através do Pão e da Palavra.
A união com Cristo implica muitas vezes o encontro com a Cruz e a entrada em tempos de “purgação passiva” (AD, 302). Estes tempos serão vividos no meio da paz e da alegria, porque se amamos verdadeiramente Cristo, «se com divina audácia nos refugiarmos na abertura que a lança deixou no seu lado, cumprir-se-á a promessa do Mestre: quem me ama observará a minha doutrina, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada» (AD, 306). Estamos perante a verdade da habitação da Trindade na alma e das suas consequências ascéticas.
Como se a alma pudesse fazer experiência desta habitação de Deus nela, continua: «O coração precisa, portanto, de distinguir e adorar cada uma das Pessoas divinas. De certo modo, é uma descoberta que a alma faz na vida sobrenatural, como a de uma criatura que abre os olhos à existência. E habita amorosamente com o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e submete-se prontamente à ação do Paráclito vivificante, que se nos dá sem o merecer: os dons e as virtudes sobrenaturais!» (AD, 306).
São Josemaria refere-se claramente à contemplação da Santíssima Trindade no meio da azáfama quotidiana. As expressões que utiliza para descrever esta contemplação são semelhantes às que os autores espirituais utilizam para falar da contemplação como fruto dos dons do Espírito Santo. Eis algumas expressões muito gráficas de como concebe esta contemplação: «As palavras são supérfluas, porque a língua não se pode exprimir; a mente aquieta-se. Não se fala, olha-se! E a alma volta a cantar com um canto novo, porque sente e sabe que também ela é contemplada com amor por Deus em todos os momentos» (AD, 307).
Estas palavras de São Josemaria recordam-nos os maravilhosos parágrafos em que São João da Cruz descreve a união da alma com a Santíssima Trindade e a habitação de Deus na alma, ou melhor, a habitação da alma em Deus. É claro que São Josemaria está a falar da contemplação e do trato com a Trindade na vida corrente.
“Não estou a falar de situações extraordinárias. São, podem muito bem ser, fenómenos ordinários da nossa alma: uma loucura de amor que, sem espetáculo, sem extravagância, nos ensina a sofrer e a viver, porque Deus nos concede a Sabedoria. Que serenidade, que paz então, quando estamos no caminho estreito que conduz à vida! (Mt 7, 14)” (AD, 307).
São Josemaria tem consciência de que está a referir-se a um verdadeiro objetivo da experiência espiritual, e isto na vida corrente. Trata-se de “fenómenos ordinários” que, ao mesmo tempo, são uma autêntica “loucura de amor”. Por uma associação lógica de ideias, surgem aqui perguntas que nos levam a compreender a importância da união com a Santíssima Trindade - com cada uma das Pessoas divinas - na vida quotidiana: “Ascetismo? Misticismo? Não estou preocupado.
Seja o que for, ascese ou misticismo, o que é que importa: é a misericórdia de Deus. Se tentar meditar, o Senhor não lhe negará a sua ajuda (...). Isto já é contemplação e união; esta deve ser a vida de muitos cristãos, cada um seguindo o seu caminho espiritual - são infinitos - no meio das preocupações do mundo, mesmo que nem sequer se tenham apercebido disso” (AD, 308).
São Josemaria usa as palavras com precisão. Fala da contemplação e da união com a Trindade, com cada uma das Pessoas; são termos bem conhecidos na teologia espiritual. Fala também da vida corrente e de que muitos cristãos “seguem o seu próprio caminho espiritual”. Encontramo-nos, pois, perante um grande paradoxo, mas esse paradoxo desaparece se tivermos presente a profunda convicção com que S. Josemaria se apoia na chamada universal à santidade.
Esta contemplação da Trindade será sempre a “misericórdia” de Deus, uma misericórdia que corresponde ao dom do chamamento universal à santidade, ao facto de sermos filhos de Deus em Cristo pelo Espírito Santo e à realidade da habitação da Trindade na alma.

São Josemaria insiste na distinção das Pessoas, considerando a Trindade como comunhão de vida e de amor na sua perfeita unidade, e aconselha a tratar cada uma das Pessoas na sua distinção: “Trate as três Pessoas, Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. E para chegar à Santíssima Trindade, passe por Maria” (F, 543).
A glória que o cristão deve dar a Deus tem também uma estrutura trinitária. Isto é já evidente em Caminho: “Que nenhum afeto vos prenda à terra, a não ser o desejo diviníssimo de dar glória a Cristo e, por Ele, com Ele e n'Ele, ao Pai e ao Espírito Santo” (C, 786). A devoção à Trindade tem uma evidente dimensão cristológica: “O nosso Mestre é Cristo: o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Imitando Cristo, alcançamos a maravilhosa possibilidade de participar naquela corrente de amor que é o mistério de Deus Uno e Trino” (AD, 252).
Em todos estes conselhos, S. Josemaria segue com sobriedade as formulações do Símbolo e as doxologias da Liturgia, com uma grande fé e um grande sentido eclesial. Diz, citando São Cipriano, que “somos um só povo que confessa uma só fé, um só Credo; um só povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (ECP, 89).
Reflecte também, como realidade vivida, o seu próprio caminho espiritual no trato com a Santíssima Trindade e com cada uma das Pessoas divinas. Neste sentido, vale a pena notar que os dois níveis de consideração do mistério trinitário - a Trindade ad intra e a Trindade ad extra, isto é, a Trindade imanente e a Trindade económica - estão muito presentes e claramente distinguidos no seu ensinamento.
Da primeira Pessoa, S. Josemaria considera sobretudo a sua paternidade e a sua fontalidade: tudo procede do Pai, é Ele a origem da corrente trinitária de amor, é Ele quem toma a iniciativa de oferecer ao homem a Aliança. Sobre esta questão, como já foi assinalado na voz de Deus Pai, são de grande interesse as anotações e comentários de Pedro Rodríguez, na sua edição histórico-crítica de Caminho, especialmente nos números 267 e 435.
São Josemaria contempla a paternidade do Pai com os olhos de Nosso Senhor, unindo o seu Abbá ao Abbá de Jesus. Assim se exprime numa meditação pregada a 28 de abril de 1963: “Quando o Senhor me deu aqueles golpes, por volta dos trinta e um anos, não o compreendi.
E de repente, no meio daquela grande amargura, aquelas palavras: tu és meu filho (Sl 2,7), tu és Cristo. E eu só podia repetir: Abba, Pater!, Abba, Pater!, Abba!, Abba! (...) E a razão - vejo-a mais claramente do que nunca - é esta: ter a Cruz é identificar-se com Cristo, é ser Cristo e, portanto, ser filho de Deus” (cf. também Illanes, 2008, pp. 471-472). Illanes comenta, com razão, que este texto e o conjunto da meditação testemunham a maturidade espiritual e teológica alcançada por São Josemaria, que aqui “revela o sentido profundo de que deriva o significado de filiação e, mais concretamente, o seu desenvolvimento”.
Relativamente ao Filho, São Josemaria detém-se sobretudo, como é lógico, na sua Humanidade e nos mistérios da sua vida, na gesta et passa Christi. Basta recordar como é esta contemplação nos livros Santo Rosário e Via Sacra. Na homilia dedicada ao Coração de Jesus, encontramos toda uma teologia trinitária e cristológica: “Deus Pai dignou-se conceder-nos, no Coração do seu Filho, infinitos dilectionis thesauros (Oração da Missa do Sagrado Coração), tesouros inesgotáveis de amor, de misericórdia, de afeto (...).
O amor divino faz com que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo, o Filho de Deus Pai, assuma a nossa carne, isto é, a nossa condição humana, menos o pecado. E o Verbo, a Palavra de Deus, é Verbum spirans amorem, a Palavra da qual procede o Amor” (ECP, 162), diz São Josemaria, seguindo Santo Agostinho e São Tomás (cf. S.Th., I q. 43, a. 5; De Trinitate, IX, 10).
A devoção ao Espírito Santo está também presente com força decisiva na vida e na pregação de São Josemaria. É Ele quem nos identifica com Cristo e, através d'Ele, nos introduz na vida de amor trinitário: “Para concretizar, ainda que de modo muito geral, um estilo de vida que nos leve a tratar o Espírito Santo - e, com Ele, o Pai e o Filho - e a conhecer o Paráclito, podemos olhar para três realidades fundamentais: a docilidade - repito -, a vida de oração, a união com a Cruz” (ECP, 135).
Talvez a melhor maneira de descrever a presença do mistério trinitário nos escritos de S. Josemaria seja dizer que está presente como amor, segundo a frase joanina Deus é Amor (1 Jo 4, 16) ou, para usar uma expressão teológica bem conhecida, como communio personarum: “O amor de Jesus pelos homens é um aspeto insondável do mistério divino, do amor do Filho pelo Pai e pelo Espírito Santo.
O Espírito Santo, vínculo de amor entre o Pai e o Filho, encontra no Verbo um Coração humano (...) O amor, no seio da Trindade, derrama-se sobre todos os homens através do Amor do Coração de Jesus” (ECP, 169).
4. A “trindade da terra” e a trindade do céu
São Josemaria refere-se a Sagrada Família A sua obra é considerada como a “trindade da terra”, considerando que nela se manifesta de modo especial o mistério trinitário, a comunidade de vida e de amor, e sublinha fortemente a relação entre Santa Maria e a Trindade.
Já antes de escrever Caminho, S. Josemaria gostava de se dirigir a Santa Maria recordando a sua relação com cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade: “Como os homens gostam que lhes recordem o seu parentesco com personalidades literárias, políticas, militares e eclesiásticas! -Cante diante da Virgem Imaculada, recordando-lhe: Ave Maria, filha de Deus Pai: Ave Maria, filha de Deus Pai: Ave Maria, filha de Deus Pai: Ave Maria, filha de Deus Pai: Ave Maria, filha de Deus Pai: Ave Maria, filha de Deus Pai: Ave Deus, Maria, Mãe de Deus FilhoAvé Maria, Esposa de Deus Espírito Santo.... Mais do que vós, só Deus!” (C, 496).
Na edição crítico-histórica de Caminho (CECH, pp. 649-651, n.ºs 15-17), Pedro Rodríguez recorda a história desta oração com profundas raízes populares e oferece um testemunho de 1939, que documenta que, já nessa altura, S. Josemaria recomendava que se considerasse o mistério de Maria na sua relação com a Santíssima Trindade.
É o mesmo que encontramos muito mais tarde em Amigos de Deus, 274: “Esta celebração leva-nos a considerar alguns dos mistérios centrais da nossa fé: meditar a Encarnação do Verbo, obra das três Pessoas da Santíssima Trindade. Maria, Filha de Deus Pai, pela Encarnação do Senhor no seu seio imaculado, é Esposa de Deus Espírito Santo e Mãe de Deus Filho”.
São Josemaria, partidário de “poucas mas constantes devoções particulares” (C, 552), comunicou aos membros do Opus Dei, em 1959, que era conveniente iniciar o costume de rezar ou cantar o Triságio Angélico no tríduo que precede a festa da Santíssima Trindade, e de rezar e contemplar com frequência o Símbolo do Quicumque. Ambos os costumes têm como objetivo manifestar a devoção à Trindade através de actos de adoração e de fé explícita nas verdades reveladas sobre o mistério central da nossa fé. Termos relacionados: Deus Pai; Espírito Santo; Filiação Divina; Habitação Trinitária; Jesus Cristo.
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