{"id":229764,"date":"2026-06-06T02:00:00","date_gmt":"2026-06-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/fundacioncarf.org\/?p=229764"},"modified":"2026-06-05T12:58:07","modified_gmt":"2026-06-05T10:58:07","slug":"ramiro-pellitero-sacerdote-profesor-teologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/ramiro-pellitero-sacerdote-profesor-teologia\/","title":{"rendered":"Dom Ramiro Pellitero: uma vida dedicada \u00e0 teologia, \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 Universidade de Navarra"},"content":{"rendered":"
M\u00e9dico de forma\u00e7\u00e3o, padre<\/a> Ramiro Pellitero desenvolveu uma carreira profundamente ligada \u00e0 Universidade de Navarra e ao estudo da teologia, sempre com a preocupa\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o da f\u00e9, do di\u00e1logo com a cultura contempor\u00e2nea e da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas.<\/p>\n\n\n\n Nesta entrevista especial, reunimos as duas conversas: a que foi publicada originalmente pela Omnes, centrada na evangeliza\u00e7\u00e3o<\/a> e a realizada pela Universidade de Navarra por ocasi\u00e3o da sua reforma.<\/p>\n\n\n\n Entrevista em Omnes<\/p>\n\n\n\n A julgar pelo slogan (\u201cLevante os olhos\u201d) e pelo log\u00f3tipo do Visita pastoral de Le\u00e3o XIV a Espanha<\/a>, A mensagem que pretende transmitir gira em torno da beleza, da unidade e do acolhimento. Por outro lado, em Espanha, como em muitos outros pa\u00edses e ambientes, vivemos tempos de polariza\u00e7\u00e3o e conflito, que podem desencorajar aqueles que tentam partilhar a sua f\u00e9. Neste contexto, entrevist\u00e1mos o Prof. Ramiro Pellitero, professor de Teologia Pastoral no Universidade de Navarra<\/a>.<\/p>\n\n\n\n Como entender a evangeliza\u00e7\u00e3o (o an\u00fancio da f\u00e9 crist\u00e3) hoje, para que se torne uma fonte de luz e n\u00e3o uma fonte de contesta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Uma das chaves \u00e9 compreender que a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mera transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o intelectual ou uma discuss\u00e3o de ideias, mas um encontro vivo com as pessoas do mundo. a pessoa de Jesus Cristo<\/a>,que transforma a exist\u00eancia humana.<\/p>\n\n\n\n Perante os conflitos, o discernimento eclesial funciona como uma b\u00fassola para ler os \u00absinais dos tempos\u00bb e para levar a cabo o an\u00fancio da f\u00e9, tendo em conta a realidade concreta dos povos e das culturas.<\/p>\n\n\n\n Para evangelizar o mundo de forma aut\u00eantica, a Igreja no seu conjunto e cada um de n\u00f3s deve, em primeiro lugar, deixar-se evangelizar continuamente pelo Esp\u00edrito Santo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n Quando confrontado com desafios sociais ou divis\u00f5es internas, que papel desempenha o discernimento que mencionou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n O discernimento eclesial n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica organizacional, mas uma pr\u00e1tica espiritual partilhada que permite a qualquer comunidade crist\u00e3 (seja uma fam\u00edlia, uma escola ou uma par\u00f3quia) reconhecer o que o Esp\u00edrito diz em rela\u00e7\u00e3o aos problemas ou projectos que surgem. Pode ser visto como um exerc\u00edcio crist\u00e3o da virtude cl\u00e1ssica da prud\u00eancia, no seu verdadeiro sentido de orienta\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n Numa Igreja sinodal, este di\u00e1logo ajuda a interpretar a vida e a realidade humana \u00e0 luz do \u201c...\".\u201ckerygma<\/a>\u201d(a proclama\u00e7\u00e3o de Cristo), ajudando a tomar decis\u00f5es que realmente fazem avan\u00e7ar a miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n Que atitudes pessoais poderiam ajudar a reduzir a tens\u00e3o em ambientes t\u00e3o polarizados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n S\u00e3o necess\u00e1rias atitudes fundamentais como a humildade para a convers\u00e3o pessoal e uma vontade sincera de escutar. Em primeiro lugar, devemos escutar Deus na ora\u00e7\u00e3o e a Igreja no seu magist\u00e9rio; \u00e9 tamb\u00e9m vital escutarmo-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios e aos outros.<\/p>\n\n\n\n Esta \u00abpedagogia do discernimento\u00bb recorda-nos que Deus comunica connosco gradualmente, com aquilo a que os Padres da Igreja chamam a \u00abcondescend\u00eancia\u00bb divina, adaptando-se \u00e0 nossa capacidade humana.<\/p>\n\n\n\n H\u00e1 pessoas que se sentem afastadas da Igreja porque a v\u00eaem como um conjunto de regras r\u00edgidas. Como mostrar-lhe que a mensagem do Evangelho \u00e9 verdade e amor, e que exige proximidade com as pessoas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Sem d\u00favida! Devemos privilegiar o \u00abcaminho da beleza\u00bb (Via Pulchritudinis<\/em>). A educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 \u00e9 eficaz quando apela ao cora\u00e7\u00e3o do homem, mostrando o brilho e a bondade da verdade crist\u00e3. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso superar a dicotomia entre doutrina e vida, reconhecendo que a exist\u00eancia quotidiana \u00e9 um \u00ablugar teol\u00f3gico\u00bb onde Deus continua a falar, atrav\u00e9s dos acontecimentos da vida e da ora\u00e7\u00e3o<\/a>, A pr\u00f3pria linguagem da f\u00e9 da Igreja e os crit\u00e9rios luminosos da tradi\u00e7\u00e3o eclesial s\u00e3o tamb\u00e9m utilizados para nos ajudar.<\/p>\n\n\n\n A forma\u00e7\u00e3o<\/a> O estilo catecumenal, tal como era feito nos primeiros s\u00e9culos (ou seja, o estilo inici\u00e1tico), n\u00e3o s\u00f3 instrui a mente, mas tamb\u00e9m ajuda a amadurecer a identidade e o sentido de perten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n No ambiente digital, onde as discuss\u00f5es s\u00e3o por vezes agressivas, como \u00e9 que podemos ser arautos da paz?<\/strong><\/p>\n\n\n\n A cultura digital \u00e9 um novo \u00abare\u00f3pago\u00bb que nos desafia a sermos comunicadores da f\u00e9. Nesta comunica\u00e7\u00e3o, a primazia \u00e9 dada ao testemunho (\u201cmartyria\u201d), que \u00e9 mais eloquente do que as palavras e pode ser oferecido no meio das actividades quotidianas, sem a atitude de dar li\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s da amizade e das tarefas culturais e sociais, com serenidade e sentido positivo.<\/p>\n\n\n\n S\u00e3o Paulo VI disse: \u201cO homem contempor\u00e2neo escuta mais as testemunhas do que os mestres\u201d. Como repetia o Papa Francisco, devemos usar a \u00ablinguagem viva\u00bb da miseric\u00f3rdia, actuando como um \u00abhospital de campanha\u00bb que cura as feridas e se torna acess\u00edvel aos mais afastados, centrando tudo no amor salv\u00edfico de Deus. Por outro lado, nada disto afasta o racioc\u00ednio e a forma\u00e7\u00e3o intelectual.<\/p>\n\n\n\n Por fim, como manter o equil\u00edbrio entre a fidelidade \u00e0 doutrina crist\u00e3 e a sensibilidade aos problemas actuais e \u00e0s situa\u00e7\u00f5es pessoais, sem cair em extremos que nos afastam da realidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Podemos visualizar a miss\u00e3o crist\u00e3 como uma elipse com dois pontos focais: um \u00e9 a fidelidade <\/a>A tens\u00e3o entre o projeto salv\u00edfico de Deus (a vontade divina revelada) e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o concreta e complexa da hist\u00f3ria. Esta tens\u00e3o \u00e9 fecunda e exige uma forma\u00e7\u00e3o integral que una solidez doutrinal com maturidade humana e sensibilidade social.<\/p>\n\n\n\n Como j\u00e1 referi, \u00e9 importante ter em conta as condi\u00e7\u00f5es das pessoas, tantas vezes vulner\u00e1veis, e das culturas, com as suas luzes e sombras. \u00c9 tamb\u00e9m importante encorajar o di\u00e1logo que nos pode enriquecer, ao mesmo tempo que lan\u00e7a nova luz e nos ajuda a aprofundar a nossa compreens\u00e3o das quest\u00f5es - ouvindo como os outros as v\u00eaem - e a purificar as nossas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Al\u00e9m disso, muitas quest\u00f5es n\u00e3o t\u00eam uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica e podem ser abordadas de diferentes formas. Numa autoestrada, pode ir mais depressa ou mais devagar, num lado ou noutro da sua faixa de rodagem, mas sem atrapalhar ou p\u00f4r em perigo a sua vida ou a dos outros.<\/p>\n\n\n\n A vida crist\u00e3 \u00e9 uma autoestrada que pode ser muito bem iluminada. Ao unir a Palavra de Deus, cuja plenitude \u00e9 Cristo, com a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Palavra e Esp\u00edrito formam a \u201cdupla miss\u00e3o\u201d que vem de Deus Pai), a f\u00e9 torna-se uma realidade interior ou \u00abconaturalidade\u00bb, que nos permite ver mais claramente, julgar melhor os acontecimentos, escolher sabiamente fazer o bem e viver mais plenamente. O an\u00fancio da f\u00e9 e a experi\u00eancia crist\u00e3, a doutrina e a vida, est\u00e3o assim unidos na nossa exist\u00eancia. E participar na evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o a todos, para que descubram que a vida em Cristo \u00e9 um caminho de plenitude e de beleza.<\/p>\n\n\n\n Entrevista na Universidade de Navarra<\/p>\n\n\n\n Don Ramiro Pellitero<\/strong>, Em 24 de abril, proferiu uma confer\u00eancia por ocasi\u00e3o da sua pr\u00f3xima reforma, que contou com a presen\u00e7a de professores, pessoal administrativo, estudantes, familiares e amigos. <\/p>\n\n\n\n T\u00edtulo \u2018A teologia do laicado segundo Yves Congar\u2019.\u2019<\/strong>, A confer\u00eancia apresentou a evolu\u00e7\u00e3o do pensamento do te\u00f3logo dominicano franc\u00eas sobre os fi\u00e9is leigos. Recordou que, numa primeira fase, sobretudo em 1953 com o seu livro Jalones para una teolog\u00eda del laicado, Congar descreveu o leigo como um crist\u00e3o que procura Deus atrav\u00e9s das coisas do mundo, mas \u201cde uma forma ainda dependente de uma vis\u00e3o algo clerical\u201d, fruto de s\u00e9culos em que \u201caos leigos foi atribu\u00eddo apenas um lugar passivo\u201d. Neste contexto, \u201co trabalho, a fam\u00edlia, as tarefas culturais e pol\u00edticas n\u00e3o tinham um valor propriamente teol\u00f3gico\u201d e a miss\u00e3o da Igreja era concebida como estando orientada exclusivamente para o Reino dos c\u00e9us, sem dar o devido valor \u00e0 hist\u00f3ria humana. Embora Congar se tenha esfor\u00e7ado por corrigir esta perspetiva e tenha tido uma influ\u00eancia decisiva na teologia do laicado, deixou a impress\u00e3o de uma certa insufici\u00eancia na explica\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o<\/a> e a miss\u00e3o dos leigos.<\/p>\n\n\n\n O Professor Pellitero salientou que esta vis\u00e3o foi transformada pelo Conc\u00edlio Vaticano II, que concebeu a Igreja como \u201cum grande sacramento de salva\u00e7\u00e3o oferecido ao mundo\u201d e afirmou que \u201ca miss\u00e3o da Igreja \u00e9 da responsabilidade de todos os crist\u00e3os\u201d. Sublinhou que os fi\u00e9is leigos s\u00e3o desde ent\u00e3o descritos como aqueles que \u201cse santificam a partir da sociedade civil, do trabalho e da fam\u00edlia, das amizades e da cultura\u201d, tendo como miss\u00e3o \u201cordenar as realidades temporais ao Reino de Deus\u201d, em complementaridade com o minist\u00e9rio dos sacerdotes e da vida religiosa. <\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m assinalou que para Congar, depois do Conc\u00edlio, a Igreja foi constru\u00edda n\u00e3o s\u00f3 pela hierarquia, mas tamb\u00e9m por uma multid\u00e3o de servi\u00e7os e outros \u201cminist\u00e9rios e carismas\u201d, e que \u201ctodos n\u00f3s fazemos tudo, mas de maneiras diferentes\u201d. Explicou que esta perspetiva foi retomada de forma madura na Christifideles laici, onde se sublinha que o que \u00e9 pr\u00f3prio dos leigos \u00e9 a \u201cnatureza secular\u201d, pela qual eles se santificam nas e atrav\u00e9s das realidades temporais e s\u00e3o Igreja no meio do mundo: \u201cPara eles, o ser e o agir no mundo n\u00e3o s\u00e3o apenas um quadro externo no seu caminho para Deus, mas constituem esse mesmo caminho\u201d.<\/p>\n\n\n\n Ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o ao ensino, \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e ao aconselhamento pessoal, Ramiro Pellitero<\/strong> desenvolveu uma carreira profundamente ligada \u00e0 Universidade. Formou-se como m\u00e9dico, padre<\/a> O seu percurso acad\u00e9mico e de vida reflecte uma constante: o desejo de compreender e transmitir, com rigor e proximidade, as chaves da f\u00e9 e o seu di\u00e1logo com a cultura contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n Desde os seus in\u00edcios como estudante at\u00e9 \u00e0 sua consolida\u00e7\u00e3o como professor em diferentes faculdades, a sua experi\u00eancia \u00e9 marcada pela aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, pela abertura intelectual e por uma clara voca\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o \u00e0 Igreja e \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n Como \u00e9 que chegou \u00e0 Universidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Ap\u00f3s os meus estudos de medicina e o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, fui para Roma<\/a>. A\u00ed terminei os meus estudos de bacharelato em teologia, que j\u00e1 tinha come\u00e7ado. Depois vim para Pamplona<\/a> para tirar uma licenciatura em teologia. J\u00e1 tinha conhecido a Universidade de Navarra em algumas ocasi\u00f5es. E senti-me atra\u00eddo pela sua atmosfera de serenidade e seriedade. Por isso, fiquei muito contente por ter tido a oportunidade de fazer estes estudos. Quando terminei a minha tese, fui ordenado sacerdote. Pouco antes, tinha come\u00e7ado a ensinar como assistente de teologia sistem\u00e1tica. Depois de um ano em Barcelona com tarefas pastorais, voltei para a Faculdade de Teologia<\/a>. Destaco a aten\u00e7\u00e3o personalizada que recebi enquanto estudante e que mais tarde, enquanto professor, tentei dar aos meus alunos. Tamb\u00e9m a abordagem profissional das quest\u00f5es, a abertura de esp\u00edrito, o desejo de servir a Igreja<\/a> e para a sociedade, o amor e o cuidado dos sacerdotes e das suas fam\u00edlias, e a seminaristas<\/a> que me foi incutido desde o in\u00edcio. <\/p>\n\n\n\n Como se lembra dos seus primeiros dias na Universidade? <\/strong><\/p>\n\n\n\n Lembro-me que comecei a lecionar no bacharelato de Teologia, numa disciplina que estava ent\u00e3o a passar por uma grande renova\u00e7\u00e3o: a Teologia Pastoral. Tive excelentes tutores (sobretudo Pedro Rodr\u00edguez e Jos\u00e9 Luis Illanes e outros professores como Jos\u00e9 Mar\u00eda Casciaro, Lucas Francisco Mateo Seco e D. Jos\u00e9 Morales), que me incentivaram a confrontar-me com as obras dos grandes te\u00f3logos do s\u00e9culo XX sem perder de vista a tradi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica do cristianismo, algo que sempre agradeci, porque nessa encruzilhada est\u00e1 a fonte do que estamos a fazer hoje.<\/p>\n\n\n\n Sempre gostei de l\u00ednguas e fui encorajado a cultiv\u00e1-las mais seriamente. Interessou-me particularmente a introdu\u00e7\u00e3o da Internet e do trabalho em linha e a facilidade com que \u00e9 poss\u00edvel criar redes a partir daqui, em muitos pa\u00edses. Sempre me senti muito \u00e0 vontade na Universidade. Para al\u00e9m da Faculdade de Teologia, leccionei noutras faculdades: de Filosofia, de Ci\u00eancias e de Enfermagem. Devido ao meu percurso anterior, em Santiago de Compostela, onde tinha sido interno de Histologia e Anatomia Patol\u00f3gica, primeiro, e depois de Neurologia; e tamb\u00e9m porque tinha colaborado na capelania da Cl\u00ednica da Universidade de Navarra durante quatro anos, sempre tive uma rela\u00e7\u00e3o com a Faculdade de Medicina. E no meu \u00faltimo per\u00edodo acad\u00e9mico, tamb\u00e9m com a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e Psicologia. <\/p>\n\n\n\n \u00c9 uma sorte, embora por vezes n\u00e3o seja f\u00e1cil, poder combinar o ensino com a investiga\u00e7\u00e3o e a assist\u00eancia aos estudantes; e tamb\u00e9m, como padre, poder ajudar muitas pessoas na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. O ambiente internacional da Universidade ajuda muito em tudo isto.<\/p>\n\n\n\n Como definiria a sua passagem pela Universidade como professor?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Sempre gostei de ensinar, talvez porque na minha fam\u00edlia j\u00e1 havia v\u00e1rios professores e o seu segundo apelido era \u201cprofessor\u201d. <\/p>\n\n\n\n Ao ensinar, tentei preparar algo novo de cada vez, pensando nas necessidades dos alunos. Tentei entregar o que tinha recebido e da mesma forma: facilitar-lhes o caminho, colocando-os pouco a pouco onde eu estava a chegar, sem deixar de exigir as coisas certas. <\/p>\n\n\n\n A este respeito, recordo-me que, por ocasi\u00e3o de uma confer\u00eancia em Roma sobre o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, tive a oportunidade de me encontrar com o ent\u00e3o Cardeal Joseph Ratzinger, o futuro Papa. Bento XVI<\/a>. Quando me apresentei, dizendo que vinha da Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, a sua rea\u00e7\u00e3o imediata foi bastante expressiva: \u201cAh, bons professores...\u201d.<\/p>\n\n\n\n Como descreveria o seu trabalho de investiga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Tive a oportunidade de fazer uma estadia de p\u00f3s-doutoramento nos Estados Unidos, concretamente em Washington D. C., onde, para al\u00e9m de fazer investiga\u00e7\u00e3o sobre a teologia dos hisp\u00e2nicos americanos, colaborei durante alguns ver\u00f5es no ensino da Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica, que depende da Confer\u00eancia Episcopal daquele pa\u00eds. Antes e depois disso, regressei de vez em quando aos Estados Unidos, sempre com grande interesse, especialmente em temas de catequese. <\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m passei muito tempo na Am\u00e9rica Latina (M\u00e9xico, Guatemala, Chile, Col\u00f4mbia...), onde, para al\u00e9m de colaborar no forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/a>, Tive a oportunidade de participar na implementa\u00e7\u00e3o de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para professores de religi\u00e3o nas escolas. <\/p>\n\n\n\n Na Faculdade de Teologia, fui encarregado de elaborar um curr\u00edculo de Teologia Pastoral e, depois, de ajudar na Eclesiologia. Em ambas as tarefas procurei ter e transmitir uma vis\u00e3o global das mat\u00e9rias que me foram atribu\u00eddas. Tamb\u00e9m me interessei pela pedagogia da f\u00e9 e tive a sorte de contribuir para o trabalho do Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas, seguindo os passos de Jaime Pujol e Francisco Domingo. <\/p>\n\n\n\n Procurei viver com paix\u00e3o o desafio de uma teologia fiel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o recebida e, precisamente por isso, aberta \u00e0 cont\u00ednua renova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para responder \u00e0s necessidades evangelizadoras do nosso tempo. <\/p>\n\n\n\n O que \u00e9 que mais lhe agradou na Universidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n A oportunidade de aprender. Tento viver a ideia de que se come\u00e7a a ser estudante universit\u00e1rio no dia em que se inscreve, mas depois n\u00e3o se deixa (ou n\u00e3o se deve deixar) de o ser. Como crist\u00e3o, a alegria de trabalhar para a unidade da vida e com um objetivo claro de servi\u00e7o. Como padre, tive muitas experi\u00eancias de quase tocar a a\u00e7\u00e3o de Deus nas pessoas. <\/p>\n\n\n\n O que \u00e9 que leva da Universidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Levo-a comigo, sobretudo a minha gratid\u00e3o a Deus por me ter permitido participar nesta tarefa, neste lugar e neste momento preciso em que vivemos. E a tantas pessoas que a levam por diante, dia ap\u00f3s dia. Tenho excelentes recorda\u00e7\u00f5es do pessoal administrativo e de servi\u00e7o. Por muitas raz\u00f5es, tenho um carinho especial pela Cl\u00ednica. Tenho tamb\u00e9m muitas outras pessoas que n\u00e3o conhe\u00e7o pessoalmente mas que sei que s\u00e3o t\u00e3o fundamentais para a Universidade como os grandes professores.<\/p>\n\n\n\n O que \u00e9 que a \u00faltima li\u00e7\u00e3o significa para si e o que \u00e9 que quer transmitir aos seus alunos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Esta \u00e9 mais uma ocasi\u00e3o para partilhar consigo algo que lhe pode ser \u00fatil e para responder \u00e0s suas preocupa\u00e7\u00f5es. Dizem que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das tarefas que realmente ajudam a melhorar o mundo. Naturalmente, o primeiro a ajudar \u00e9 o professor. <\/p>\n\n\n\n Gostaria de vos recordar que Deus guia a hist\u00f3ria, a vida e o pensamento humano, respeitando delicadamente a nossa liberdade e procurando a nossa correspond\u00eancia, para nos fazer crescer sobretudo no amor. E que o trabalho universit\u00e1rio, com a sua dimens\u00e3o interdisciplinar, \u00e9 sempre uma tarefa fascinante. <\/p>\n\n\n\n Para um sacerdote que trabalha ou estuda aqui, \u00e9 tamb\u00e9m uma ocasi\u00e3o quotidiana prolongar a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia nesse ret\u00e1bulo \u00fanico que \u00e9 o campus e o conjunto da obra da Universidade, como disse S\u00e3o Josemar\u00eda<\/a>. <\/p>\n\n\n\n \u00cdndice<\/strong><\/p>
\n\n\n\n
<\/figure>\n\n\n\n\u00abA evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um debate de ideias, mas um encontro com Jesus Cristo\u00bb.\u00bb<\/h2>\n\n\n\n
\n\n\n\n
<\/figure>\n\n\n\n\u201cLevo comigo a Universidade e agrade\u00e7o a Deus por me ter permitido participar nesta tarefa, neste lugar e neste momento preciso em que vivemos\u201d.\u201d<\/h3>\n\n\n\n

O que \u00e9 que destacaria da sua carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n
O que \u00e9 que mais gosta no seu trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n
<\/figure>\n\n\n\n
\n\n\n\n