{"id":228432,"date":"2026-03-05T02:00:00","date_gmt":"2026-03-05T01:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/fundacioncarf.org\/?p=228432"},"modified":"2026-02-23T17:14:09","modified_gmt":"2026-02-23T16:14:09","slug":"la-paz-desarmante-y-la-fidelidad-papa-leon-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/la-paz-desarmante-y-la-fidelidad-papa-leon-xiv\/","title":{"rendered":"Desarmar a paz e a fidelidade"},"content":{"rendered":"
Entre os ensinamentos do Papa Le\u00e3o XIV nas \u00faltimas semanas, na sequ\u00eancia do Jubileu de Esperan\u00e7a<\/a>, concentramo-nos na sua\u00a0Mensagem para o 59\u00ba Dia Mundial da Paz<\/em><\/strong>, que marca o in\u00edcio do ano 2026, e o seu\u00a0carta apost\u00f3lica \u201cFidelidade que gera futuro<\/a><\/strong>\u201dpor ocasi\u00e3o do 60\u00ba anivers\u00e1rio dos decretos do Conselho\u00a0Optatam totius\u00a0<\/em>y\u00a0Presbyterorum ordinis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n A mensagem de Le\u00e3o XIV para o Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2026) intitula-se: \u00abA paz esteja com todos v\u00f3s: para uma paz \u2018desarmada e desarmante\u2019\u00bb. \u00c9 um eco direto e prolongado das primeiras palavras que pronunciou ao subir \u00e0 varanda da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano (8 de maio de 2025).<\/p>\n\n\n\n A paz trazida por Cristo ressuscitado - observa na introdu\u00e7\u00e3o - n\u00e3o \u00e9 apenas um desejo, mas \u00abprovoca uma mudan\u00e7a definitiva naquele que a recebe e, portanto, em toda a realidade\u00bb (cf. Ef 2,14). A miss\u00e3o crist\u00e3, que envolve a paz com o seu aspeto luminoso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escurid\u00e3o e \u00e0 obscuridade dos conflitos, continua. Com o an\u00fancio dos sucessores dos ap\u00f3stolos e o impulso de tantos disc\u00edpulos de Cristo, ela \u00e9 \u201ca revolu\u00e7\u00e3o mais silenciosa\u201d.<\/p>\n\n\n\n A paz trazida por Cristo ressuscitado - observa na introdu\u00e7\u00e3o - n\u00e3o \u00e9 um mero desejo, mas \u00abprovoca uma mudan\u00e7a definitiva naquele que a recebe e, portanto, em toda a realidade\u00bb (cf. Ef 2, 14). A miss\u00e3o crist\u00e3, que envolve a paz com o seu aspeto luminoso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escurid\u00e3o e \u00e0 obscuridade dos conflitos, continua. Com o an\u00fancio dos sucessores dos ap\u00f3stolos e o impulso de tantos disc\u00edpulos de Cristo, ela \u00e9 \u00aba revolu\u00e7\u00e3o mais silenciosa\u00bb.<\/p>\n\n\n\n Cristo traz \u201cuma paz desarmada\u201d <\/em>porque, perante o conflito e a viol\u00eancia, Ele traz um caminho diferente. \u201cEmbainhe a sua espada\u201d<\/em>, diz a Pedro (Jo 18,11; cf. Mt 26,52). <\/p>\n\n\n\n \u00abA paz de Jesus ressuscitado \u00e9 desarmada\u00bb, afirma o Papa, \"porque a sua luta foi desarmada em circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e sociais espec\u00edficas. Os crist\u00e3os, juntos, devem tornar-se profeticamente testemunhas desta novidade, recordando as trag\u00e9dias de que tantas vezes se tornaram c\u00famplices\".\u00a0<\/p>\n\n\n\n Jesus prop\u00f5e, pelo contr\u00e1rio, o caminho - o protocolo, como lhe chamou o Papa Francisco - da miseric\u00f3rdia (cf. Mt 25, 31-46).\u00a0<\/p>\n\n\n\n Paradoxalmente, hoje, \u00abna rela\u00e7\u00e3o entre cidad\u00e3os e governantes, o facto de n\u00e3o estarmos suficientemente preparados para a guerra, para reagir a ataques, para responder a agress\u00f5es, passou a ser visto como uma falha.\u00a0<\/p>\n\n\n\n Mas isto \u00e9 apenas a ponta do icebergue de um problema global mais profundo e mais generalizado: a generaliza\u00e7\u00e3o da\u00a0l<\/em>A l\u00f3gica que justifica o medo e a domina\u00e7\u00e3o. \u00abDe facto, a for\u00e7a dissuasora do poder, e em particular a dissuas\u00e3o nuclear, encarna a irracionalidade de uma rela\u00e7\u00e3o entre os povos baseada n\u00e3o no direito, na justi\u00e7a e na confian\u00e7a, mas no medo e no dom\u00ednio da for\u00e7a.\u00a0<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o se trata, diz Le\u00e3o XIV, de negar os perigos que nos rondam devido ao dom\u00ednio dos outros. Trata-se, em primeiro lugar, do custo do rearmamento, com os interesses econ\u00f3micos e financeiros que ele implica. Em segundo lugar, e mais fundamentalmente, h\u00e1 um grande problema cultural que afecta a pol\u00edtica educativa. O caminho da escuta, do encontro e do di\u00e1logo, como aconselhado pelo Conc\u00edlio Vaticano II (cfr. Alegria e esperan\u00e7a<\/em>, 80).<\/p>\n\n\n\n Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio, por um lado, \u00abdenunciar as enormes concentra\u00e7\u00f5es de interesses econ\u00f3micos e financeiros privados que est\u00e3o a empurrar os Estados nesta dire\u00e7\u00e3o\u00bb. E, ao mesmo tempo, incentivar \u00abo despertar das consci\u00eancias e do pensamento cr\u00edtico\u00bb (cf.\u00a0Fratelli tutti<\/em>, 4). \u00a0<\/p>\n\n\n\n O Papa pede-nos que unamos esfor\u00e7os \u00abpara contribuir reciprocamente para uma paz desarmada, uma paz que nas\u00e7a da abertura e da humildade evang\u00e9lica\u00bb. E tudo isto, aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 como resposta \u00e9tica, mas tamb\u00e9m com aten\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, que promove a unidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n Para come\u00e7ar, na perspetiva crist\u00e3, a bondade \u00e9 desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito crian\u00e7a. Deus quis assumir a nossa fragilidade; enquanto n\u00f3s, como salientou o Papa Francisco, n\u00e3o somos assim t\u00e3o fr\u00e1geis,\u00a0\"<\/em>tendemos muitas vezes a negar os limites e a evitar as pessoas fr\u00e1geis e feridas que t\u00eam o poder de questionar a dire\u00e7\u00e3o que tom\u00e1mos como indiv\u00edduos e como comunidade.\"\u00a0<\/em>(Francisco,\u00a0Carta ao diretor do \u201cCorriere della Sera\u201d,<\/em>\u00a014-III-2025).\u00a0<\/p>\n\n\n\n Na sua carta magna do pensamento crist\u00e3o sobre a paz (a enc\u00edclica\u00a0Pacem in terris,<\/em>\u00a01963), S. Jo\u00e3o XXIII introduziu a proposta de \u00abdesarmamento integral\u00bb, baseada numa \u00abrenova\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia\"<\/em>. Para o efeito, confirma agora Le\u00e3o XIV, a l\u00f3gica do medo e da guerra deve ser substitu\u00edda pela confian\u00e7a m\u00fatua entre os povos e as na\u00e7\u00f5es, sem ceder \u00e0 tend\u00eancia para\u00a0\"<\/em>para transformar at\u00e9 os pensamentos e as palavras em armas\u00bb.\u00a0<\/p>\n\n\n\n As religi\u00f5es, diz o Papa Le\u00e3o XIV, devem ajudar a dar este passo e n\u00e3o o contr\u00e1rio: substituir a f\u00e9 pelo combate pol\u00edtico ao ponto de - como ele denuncia com clarivid\u00eancia - \u00ababen\u00e7oar o nacionalismo e justificar religiosamente a viol\u00eancia e a luta armada\u00bb.<\/p>\n\n\n\n Por isso, e dirigindo-se em primeiro lugar aos crentes, prop\u00f5e: \u00aba par da a\u00e7\u00e3o, \u00e9 cada vez mais necess\u00e1rio cultivar a ora\u00e7\u00e3o, a espiritualidade, o di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradi\u00e7\u00f5es e culturas\".\"<\/em>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n E isto tem uma tradu\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica: que cada comunidade crist\u00e3 se torne uma casa de paz e uma escola de paz,\u00a0\"<\/em>onde se aprende a desarmar a hostilidade atrav\u00e9s do di\u00e1logo, onde se pratica a justi\u00e7a e se preserva o perd\u00e3o; hoje mais do que nunca, de facto, \u00e9 necess\u00e1rio mostrar que a paz n\u00e3o \u00e9 uma utopia, atrav\u00e9s de uma criatividade pastoral atenta e generativa\u00bb.<\/p>\n\n\n\n \u00c9 claro, acrescenta o sucessor de Pedro, que isto \u00e9 especialmente verdadeiro para os pol\u00edticos: \u00ab.\u00abE<\/em>A via desarmante da diplomacia, da media\u00e7\u00e3o, do direito internacional, infelizmente desmentida pelas viola\u00e7\u00f5es cada vez mais frequentes de acordos duramente conquistados, num contexto que exigiria n\u00e3o a deslegitima\u00e7\u00e3o, mas antes o refor\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es supranacionais\u00bb.<\/p>\n\n\n\n Desarmar o cora\u00e7\u00e3o, a mente e a vida<\/strong><\/p>\n\n\n\n Em continuidade com os seus antecessores, Le\u00e3o XIV denuncia a vontade de dominar e de avan\u00e7ar sem limites, semeando o desespero e suscitando a desconfian\u00e7a, mesmo disfar\u00e7ada por detr\u00e1s da defesa de certos valores.<\/p>\n\n\n\n \u00abA esta estrat\u00e9gia - prop\u00f5e como fruto do Jubileu da Esperan\u00e7a - devemos opor o desenvolvimento de sociedades civis conscientes, de formas de associa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, de experi\u00eancias de participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, de pr\u00e1ticas de justi\u00e7a reparadora em pequena e grande escala\u00bb. Tudo isto, com base em raz\u00f5es antropol\u00f3gicas e teol\u00f3gicas, no horizonte da fraternidade humana (cf. Le\u00e3o XIII,\u00a0Rerum novarum<\/em>, 35).<\/p>\n\n\n\n Isto, conclui o Papa, requer, sobretudo para os crentes, \u00abredescobrir-se como peregrinos e iniciar dentro de si o desarmamento do cora\u00e7\u00e3o, da mente e da vida, ao qual Deus n\u00e3o tardar\u00e1 a responder - com o dom da paz - cumprindo as suas promessas\u00bb (cf. Is 2, 4-5).\u00a0<\/p>\n\n\n\nA revolu\u00e7\u00e3o de uma paz desarmante<\/h2>\n\n\n\n
<\/figure>\n\n\n\nUma \u201cluta\u201d desarmada<\/h3>\n\n\n\n
Deixe que a \u00e9tica se sobreponha aos interesses econ\u00f3micos.<\/h3>\n\n\n\n
Promover a confian\u00e7a m\u00fatua<\/strong><\/h5>\n\n\n\n