Papa<\/a>implica um \"vazio de pensamento, de imagina\u00e7\u00e3o, de criatividade\" (Ibid.). Insistiu que sem di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es temos \"uma sociedade est\u00e9ril, sem futuro, uma sociedade que n\u00e3o olha para o horizonte, mas olha para si pr\u00f3pria\" (2-II-2022).<\/p>\n\n\n\nAos anci\u00e3os ele disse: \"Voc\u00ea tem a responsabilidade de denunciar a corrup\u00e7\u00e3o humana em que vivemos e em que este modo de vida de relativismo continua, totalmente relativo, como se tudo fosse l\u00edcito. V\u00e1 em frente. O mundo precisa, precisa de jovens fortes, que v\u00e3o em frente, e de velhos s\u00e1bios\" (Ibid.).<\/p>\n\n\n\n
A outros, recordou-lhes o seu dever de proteger os idosos e de educar para o cuidado da velhice e da terceira idade.<\/strong> Relativamente ao quarto mandamento Honrar Pai e M\u00e3e, ele salientou: \"Falta honra quando o excesso de confian\u00e7a, em vez de se manifestar como do\u00e7ura e afecto, ternura e respeito, se torna rudeza e prevarica\u00e7\u00e3o. Quando a fraqueza \u00e9 censurada, e mesmo punida, como se fosse uma falha. Quando a perplexidade e a confus\u00e3o se tornam uma ocasi\u00e3o para zombaria e agress\u00e3o\" (23-II-2022).<\/p>\n\n\n\nF\u00e9 viva, o legado da velhice<\/h3>\n\n\n\n Com o exemplo do velho Eleazar (cf. 2 M, 18 ss.), indicou que \"a pr\u00e1tica da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 o s\u00edmbolo da nossa fraqueza, mas o sinal da sua for\u00e7a\" (Audi\u00eancia geral, 4 de maio de 2022). E assim: \"Mostraremos, com toda a humildade e firmeza, precisamente na nossa velhice, que acreditar n\u00e3o \u00e9 algo \"para velhos\", mas algo vital. Acredite no Esp\u00edrito Santo, que faz novas todas as coisas, e ele ajudar-nos-\u00e1 de bom grado\" (Ibid.). A f\u00e9 vivida \u00e9 a heran\u00e7a da velhice.<\/p>\n\n\n\n
\"Os idosos, pela sua fraqueza, podem ensinar \u00e0queles que est\u00e3o noutras idades da vida que todos n\u00f3s precisamos de nos abandonar ao Senhor, para invocar a Sua ajuda. Nesse sentido, todos n\u00f3s precisamos de aprender com a velhice: sim, h\u00e1 um dom em ser velho entendido como abandonar a si pr\u00f3prio aos cuidados dos outros, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio Deus (Ibid). A partir da\u00ed surge um \"magist\u00e9rio da fragilidade\": n\u00e3o esconder as fraquezas da velhice \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o dos idosos para todos\".<\/strong><\/p>\n\n\n\nNo Evangelho de Jo\u00e3o, Nicodemos pergunta a Jesus: Como se pode nascer quando se \u00e9 velho (Jo 3,4)? E Jesus explica-lhe que a velhice \u00e9 uma oportunidade para renascer espiritualmente e para trazer uma mensagem de futuro, miseric\u00f3rdia e sabedoria (cf. Audi\u00eancia Geral, 8-VI-2022).<\/p>\n\n\n\n
Hoje, diz o Papa, \"A velhice \u00e9 um tempo especial para dissolver o futuro da ilus\u00e3o tecnocr\u00e1tica da sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica e rob\u00f3tica, mas sobretudo porque se abre \u00e0 ternura do ventre criativo e generativo de Deus\".<\/strong> (Ibid.).<\/p>\n\n\n\nE assim ele ensina: \"Os velhos s\u00e3o os mensageiros do futuro, os velhos s\u00e3o os mensageiros da ternura, os velhos s\u00e3o os mensageiros da sabedoria de uma vida vivida\".<\/strong> (Ibid.).<\/p>\n\n\n\n <\/figure>\n\n\n\nFrancisco falou do papel dos m\u00e9dicos e dos profissionais de sa\u00fade nesta responsabilidade partilhada entre as fam\u00edlias dos idosos e o sistema de sa\u00fade de uma sociedade, afirmando: \"Toda a medicina tem um papel especial na sociedade como testemunha da honra devida \u00e0 pessoa idosa e a cada pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n
Aceita\u00e7\u00e3o de limites e esp\u00edrito de servi\u00e7o<\/h3>\n\n\n\n A partir da hist\u00f3ria da cura da sogra de Sim\u00e3o (cf. Mc 1, 29-31), Francisco considera: \"Quando voc\u00ea \u00e9 velho, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 no comando do seu corpo. Voc\u00ea tem de aprender a aceitar os seus pr\u00f3prios limites, o que j\u00e1 n\u00e3o pode fazer\".<\/strong> (cf. Audi\u00eancia geral de 15-VI-2022). (\"Agora tamb\u00e9m eu tenho de andar de bengala\").<\/p>\n\n\n\n\"Ele levantou-se e come\u00e7ou a servi-los\". O Papa diz: \"Os anci\u00e3os que preservam a sua disponibilidade para curar, para consolar, para interceder pelos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s - sejam eles disc\u00edpulos, centuri\u00f5es, pessoas perturbadas por esp\u00edritos maus, pessoas que foram descartadas... - s\u00e3o talvez o mais alto testemunho da pureza dessa gratid\u00e3o que acompanha a f\u00e9. Tudo isto, observa ele, n\u00e3o \u00e9 exclusivo das mulheres. Mas as mulheres podem ensinar aos homens a gratid\u00e3o e a ternura da f\u00e9, o que por vezes lhes \u00e9 mais dif\u00edcil de compreender.<\/p>\n\n\n\n
Tempo do testemunho da Vida que n\u00e3o morre<\/h3>\n\n\n\n No di\u00e1logo entre Jesus ressuscitado e Pedro no final do Evangelho de Jo\u00e3o (21,15-23, cf. Audi\u00eancia Geral 22-VI-2022), Francisco tamb\u00e9m encontra a base para os seus conselhos aos idosos.<\/p>\n\n\n\n
\"Voc\u00ea deve ser uma testemunha para Jesus mesmo na fraqueza, na doen\u00e7a e na morte.<\/strong>. Al\u00e9m disso, o Senhor fala-nos sempre de acordo com a nossa idade. E os nossos seguidores devem aprender a deixar-se instruir e moldar pela nossa pr\u00f3pria fragilidade, pela nossa impot\u00eancia, pela nossa depend\u00eancia dos outros, mesmo na nossa roupa, no nosso andar.<\/p>\n\n\n\n\u00c9 a vida espiritual (atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e dos sacramentos, especialmente a Eucaristia e a confiss\u00e3o dos pecados) que nos d\u00e1 a for\u00e7a e a sabedoria para sabermos despedir-nos com um sorriso: \"uma despedida alegre: vivi a minha vida, mantive a minha f\u00e9\". Cabe aos outros, sobretudo aos jovens, ajudar os idosos a viver e a exprimir esta sabedoria, e a saber receb\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n
Na mesma linha, perto do fim da catequese, o Papa convida-nos a reler a despedida de Jesus (cf. Jo 14): \"Quando eu tiver partido e preparado um lugar para v\u00f3s, virei novamente e vos receberei a mim mesmo, para que, onde eu estiver, a\u00ed estejais v\u00f3s tamb\u00e9m\" (14,3). O sucessor de Pedro afirma: \"O tempo da vida na terra \u00e9 a gra\u00e7a dessa passagem. A presun\u00e7\u00e3o de parar o tempo - querer juventude eterna, bem-estar ilimitado, poder absoluto - n\u00e3o \u00e9 apenas imposs\u00edvel, \u00e9 ilus\u00f3rio\" (cf. Audi\u00eancia Geral, 10-VIII-2022).<\/p>\n\n\n\n
Aqui abaixo, a vida \u00e9 inicia\u00e7\u00e3o, imperfei\u00e7\u00e3o no caminho para uma vida mais plena. E Francisco aproveita a oportunidade para dizer que a nossa prega\u00e7\u00e3o, que abunda em bem-aventuran\u00e7a, luz e amor, \"talvez lhe falte um pouco de vida\".<\/p>\n\n\n\n
O \"velhote de cabelo branco\" e Maria<\/h3>\n\n\n\n A catequese original do Papa sobre o \"velho de cabelo branco\" no livro de Daniel (7, 9; cf. Audi\u00eancia Geral, 17 de Agosto de 2022) est\u00e1 ligada a isto. \u00c9 assim que Deus o Pai \u00e9 normalmente representado. Mas isto\", observa Francisco, \"n\u00e3o \u00e9 um s\u00edmbolo idiota\" que deveria ser desmistificado. \u00c9 um s\u00edmbolo de uma exist\u00eancia eterna, da eternidade de Deus, sempre velha e sempre nova, com a sua for\u00e7a e proximidade; \"porque Deus nos surpreende sempre com a sua novidade, Ele vem sempre ao nosso encontro, todos os dias de uma forma especial, para aquele momento, para n\u00f3s\".<\/p>\n\n\n\n
Francisco encerrou a sua catequese sobre a velhice, contemplando o mist\u00e9rio da assun\u00e7\u00e3o da Virgem<\/a> (cf. Audi\u00eancia Geral, 24-VIII-2022). No Ocidente - recordou ele - contemplamo-la elevada, envolta em luz gloriosa; no Oriente, ela \u00e9 representada deitada, adormecida, rodeada pelos Ap\u00f3stolos em ora\u00e7\u00e3o, enquanto o Ressuscitado a carrega nas suas m\u00e3os como uma crian\u00e7a. O Papa assinala que a liga\u00e7\u00e3o da Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Maria com a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, \u00e0 qual a nossa est\u00e1 ligada, quando nos erguermos com ele no fim dos tempos, deve ser real\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\nMaria precede-nos na sua assun\u00e7\u00e3o no c\u00e9u, tamb\u00e9m como figura da Igreja, que ser\u00e1 no final: a extens\u00e3o do corpo ressuscitado de Cristo, feito fam\u00edlia. Jesus fala disto - da vida plena que nos espera no Reino do C\u00e9u - com v\u00e1rias imagens: a festa de casamento, a festa com os amigos, a rica colheita, o fruto que vem, n\u00e3o sem dor. De tudo isto, e para o bem dos outros\", prop\u00f5e Francisco, incluindo-se no grupo, \"... poderemos ver a plenitude da vida que nos espera no Reino dos C\u00e9us\".N\u00f3s, os idosos, devemos ser a semente, a luz e tamb\u00e9m a inquietude daquela plenitude de vida que nos espera\".<\/strong><\/p>\n\n\n\n \n\n\n\nSr. Ramiro Pellitero Iglesias<\/strong>Professor de Teologia Pastoral na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra.<\/p>\n\n\n\n(*) Publicado em Igreja e nova evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A catequese do Papa sobre o significado e o valor da velhice (23 de Mar\u00e7o a 24 de Agosto de 2022) foi conclu\u00edda. Ele queria \"encorajar todos a investir pensamentos e afectos nos dons que traz consigo e para as outras idades da vida\" (23-III-2022); pois, de facto, a velhice \u00e9 um dom e uma b\u00ean\u00e7\u00e3o divina*.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":183791,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"give_campaign_id":0,"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[6],"class_list":["post-183267","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-vida-cristiana"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183267"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":221677,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183267\/revisions\/221677"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}