{"id":183067,"date":"2025-01-20T06:00:00","date_gmt":"2025-01-20T05:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/la-historia-de-jesus-de-nazaret\/"},"modified":"2025-06-04T17:55:21","modified_gmt":"2025-06-04T15:55:21","slug":"la-historia-de-jesus-de-nazaret","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/la-historia-de-jesus-de-nazaret\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9"},"content":{"rendered":"<div class=\"et_pb_section et_pb_section_150 et_section_regular\">\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_481\">\n<h3 class=\"et_pb_column et_pb_column_1_5 et_pb_column_1416  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et_pb_column_empty\"><span style=\"color: revert; font-size: revert; font-weight: revert;\">Pesquisar a hist\u00f3ria de Jesus<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_482\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1420  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_540  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p>Antes de mais nada, deve ser notado que o termo <strong>\"hist\u00f3ria\".<\/strong> deriva do grego \u1f31\u03c3\u03c4\u03bf\u03c1\u03af\u03b1 <em>(hist\u00f3ria)<\/em> o que significa pesquisa, e tem a mesma raiz \u03b9\u03b4- como o verbo \u1f41\u03c1\u03ac\u03c9<em> (orao, \"para ver\", um verbo com tr\u00eas ra\u00edzes: \u1f41\u03c1\u03ac-; \u03b9\u03b4-; \u1f44\u03c0- )<\/em>. O perfeito \u1f41\u03af\u03b4\u03b1, \u00f2ida, deste verbo significa literalmente \"eu vi\", mas, por extens\u00e3o, \"eu sei\".<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, refere-se a<strong> para observar e, consequentemente, saber depois de ter experimentado<\/strong>O mesmo significado \u00e9 tamb\u00e9m encontrado na raiz do verbo latino v\u00eddeo (v-id-eo) e no termo grego \"ideia\").<\/p>\n<p>Gostaria tamb\u00e9m de acrescentar que um pressuposto de pesquisa hist\u00f3rica \u00e9, para al\u00e9m do sentido cr\u00edtico, intelig\u00eancia, no sentido literal do termo latino: intus l\u0115g\u0115re, ou seja, ler no interior, <strong>para ir mais fundo, mantendo simultaneamente a capacidade de considerar toda a gama de factos e acontecimentos.<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, tendo feito este esclarecimento, <strong>Como devemos abordar o \"problema\" da hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9 a partir do ponto de vista da investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica?<\/strong>. Jean Guitton<span style=\"color: #800000;\">\u00a0<strong>(1)<\/strong>\u00a0<\/span>um fil\u00f3sofo cat\u00f3lico franc\u00eas que dedicou a sua vida \u00e0 pesquisa sobre a figura do Nazareno, desenvolveu <strong>tr\u00eas solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis<\/strong>:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Cr\u00edtica<\/strong>: <a href=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/san-jose-quien-fue-el-padre-carpintero-de-jesus\/\">Jesus de Nazar\u00e9<\/a> existiu realmente e a origem do cristianismo \u00e9 um fen\u00f3meno hist\u00f3rico, cuja abordagem, no entanto, deve rejeitar todos os milagres e factos inexplic\u00e1veis.<\/li>\n<li><strong>M\u00edtico<\/strong>Jesus de Nazar\u00e9 nunca existiu realmente. Tudo o que foi escrito e dito sobre ele \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o de um grupo de fan\u00e1ticos.<\/li>\n<li><strong> A solu\u00e7\u00e3o da f\u00e9:<\/strong> <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Jes%C3%BAs_de_Nazaret\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jesus de Nazar\u00e9<\/a> n\u00e3o s\u00f3 existiu, como tudo o que \u00e9 narrado nos Evangelhos e nos escritos can\u00f3nicos do Novo Testamento corresponde \u00e0 verdade.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Tr\u00eas perguntas simples sobre a hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9<\/h2>\n<h3>Jesus existiu realmente?<\/h3>\n<p>A esta primeira pergunta j\u00e1 podemos responder muito claramente: sim. Podemos portanto excluir a hip\u00f3tese m\u00edtica, ou seja, que ele \u00e9 fruto da imagina\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, dado o estudo cuidadoso dele e do seu tempo, especialmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em termos de hermen\u00eautica b\u00edblica, historiografia, arqueologia, ling\u00fc\u00edstica e filologia.<span style=\"color: #800000;\"><strong> (2)<\/strong><\/span>.<\/p>\n<h3>Era realmente assim t\u00e3o importante?<\/h3>\n<p>Sem d\u00favida! A primeira coisa a ser dita \u00e9 que a nossa era, a era \"crist\u00e3\", \u00e9 calculada precisamente a partir do seu nascimento, \"depois de Cristo\". Al\u00e9m disso, h\u00e1 muitos que, apesar de n\u00e3o acreditarem em Jesus como Deus, e apesar de serem os mais inabal\u00e1veis opositores do Cristianismo, afirmam que a mensagem de Jesus Cristo n\u00e3o tem igual na hist\u00f3ria.<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: left;\">\"Deus na cruz - ainda n\u00e3o compreende o terr\u00edvel pensamento por detr\u00e1s deste s\u00edmbolo? Tudo o que sofre, tudo o que est\u00e1 pendurado na cruz, \u00e9 divino. Todos n\u00f3s estamos pendurados na cruz, por isso somos divinos\".<br \/><em>Friedrich Nietzsche, The Antichrist, Proyecto Esp\u00e1rtaco, 2001, p. 47.<\/em><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">\"Se voc\u00ea olhar para uma crian\u00e7a como um ser humano, apesar da falta de rela\u00e7\u00f5es sociais e culturais elementares, isto deve-se apenas \u00e0 influ\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 e \u00e0 sua concep\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da pessoa humana\". <em>Richard Rorty, Objectividade, Relativismo e Verdade. Philosophical Papers, Cambridge, 1991. Tradu\u00e7\u00e3o por mim.<\/em><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">\"O Cristianismo foi a maior revolu\u00e7\u00e3o jamais alcan\u00e7ada pela humanidade: t\u00e3o grande, t\u00e3o ampla e profunda, t\u00e3o fecunda nas suas consequ\u00eancias, t\u00e3o inesperada e irresist\u00edvel na sua implementa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 surpreendente que tenha parecido ou possa parecer um milagre, uma revela\u00e7\u00e3o vinda de cima, uma interven\u00e7\u00e3o directa de Deus nos assuntos humanos, que recebeu dela uma lei e uma direc\u00e7\u00e3o inteiramente novas. <em>Benedetto Croce, Perch\u00e9 non possiamo non dirci cristiani, Centro Pannunzio, Torino, 2008 (p. 14), a minha tradu\u00e7\u00e3o.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<h3 style=\"text-align: left;\">Quem era Jesus de Nazar\u00e9?<\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">Resposta dif\u00edcil! Para responder, s\u00f3 podemos tentar aplicar os crit\u00e9rios do que foi chamado a Terceira busca (<em>Terceira Miss\u00e3o<\/em>) sobre o \"Jesus hist\u00f3rico\" e limitamo-nos a observar e analisar dados j\u00e1 tratados por gigantes neste campo, ou seja, os italianos Giuseppe Ricciotti e Vittorio Messori, o estudioso israelita (<em>Judeu<\/em>) David Flusser, o alem\u00e3o Joachim Jeremias e outro ilustre alem\u00e3o, Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI.<\/p>\n<p>Os expoentes desta Terceira Pesquisa partem de um pressuposto formulado por Albert Schweitzer: <strong>n\u00e3o se pode rejeitar ideologicamente tudo o que tem um car\u00e1cter milagroso nos Evangelhos e no Novo Testamento.<\/strong>A obra do autor n\u00e3o est\u00e1 de acordo com os c\u00e2nones do racionalismo iluminista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como acrescenta Bento XVI no seu livro <em>Jesus de Nazar\u00e9 <\/em><span style=\"color: #800000;\"><strong>(3)<\/strong><\/span>os limites do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico consistem essencialmente em \"deixar a palavra no passado\", sem poder torn\u00e1-la \"actual, de hoje\"; em \"tratar as palavras com as quais se intersecta como palavras humanas\"; finalmente, em \"dividir ainda mais os livros das Escrituras de acordo com as suas fontes, mas sem considerar como facto hist\u00f3rico imediato a unidade de todos estes escritos conhecidos como \"B\u00edblia\"\".<\/p>\n<p>Portanto, poder\u00edamos afirmar que a hip\u00f3tese b\u00e1sica da terceira solu\u00e7\u00e3o sugerida por Jean Guitton, a <em>de f\u00e9<\/em>, <strong>n\u00e3o \u00e9 tanto acreditar pela for\u00e7a, mas deixar em aberto a possibilidade de que o que est\u00e1 escrito nas fontes utilizadas seja verdade.<\/strong>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-201592 size-full\" title=\"Cristo abra\u00e7ando a cruz_(El_Greco,_Museo_del_Prado) hist\u00f3ria de jesus de nazar\u00e9\" src=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth.jpg\" alt=\"Cristo_abrazado_a_la_cruz_(El_Greco,_Museo_del_Prado) historia de jesus de nazareth\" width=\"1519\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth.jpg 1519w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth-237x300.jpg 237w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth-810x1024.jpg 810w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth-119x150.jpg 119w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth-768x971.jpg 768w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth-1215x1536.jpg 1215w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cristo_abrazado_a_la_cruz_El_Greco_Museo_del_Prado-historia-de-jesus-de-nazareth-9x12.jpg 9w\" sizes=\"(max-width: 1519px) 100vw, 1519px\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_483\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1423  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_541  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h2>Nomen omen<\/h2>\n<p>A nossa viagem na hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9 n\u00e3o pode come\u00e7ar com outra coisa que n\u00e3o seja o seu nome, para nomen omen, especialmente no mundo de onde Jesus mesmo vem, o de Israel antigo. Em hebraico, os dois nomes Jesus e Josu\u00e9 s\u00e3o id\u00eanticos na pron\u00fancia e ortografia: \u05d9\u05b0\u05d4\u05d5\u05b9\u05e9\u05bb\u05c1\u05e2\u05b7, ou seja Yehoshu'a, que significa \"Deus salva\".<\/p>\n<p>Jesus era judeu e fazia parte da tribo de Jud\u00e1, embora tenha vivido a maior parte da sua vida na Galileia. E, de acordo com os Evangelhos, ele era descendente do Rei David atrav\u00e9s <strong>do seu pai Jos\u00e9. <\/strong>Uma paternidade que, para os crist\u00e3os, \u00e9 putativa, pois para este \u00faltimo Jesus nasceu de uma virgem chamada Maria, que ficou gr\u00e1vida do Esp\u00edrito Santo (<em>Para os crist\u00e3os, Deus \u00e9 um, mas Ele tamb\u00e9m \u00e9 trino, e esta Trindade \u00e9 composta por tr\u00eas pessoas da mesma subst\u00e2ncia: o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo.<\/em>) ap\u00f3s o an\u00fancio de um anjo, quando ela j\u00e1 estava noiva de Jos\u00e9.<\/p>\n<h2>Onde: O mundo de Jesus<\/h2>\n<section class=\"comment-content\">\n<div class=\"comment-item comment ng-scope first last\">\n<div class=\"post-content post-emojis\">\n<p class=\"post-comment ng-binding\">Uma vez que a Terceira Busca pelo \"Jesus hist\u00f3rico\" insiste na necessidade de analisar o contexto cultural, religioso e lingu\u00edstico em que ele viveu, vale a pena fazer alguma men\u00e7\u00e3o a isso, a fim de conhecer a verdadeira hist\u00f3ria de Jesus Cristo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<h3>De onde era Jesus?<\/h3>\n<p>Ouvi algumas pessoas dizerem que ele era \"israelita\"; outras, no entanto, responderam que ele era \"palestiniano\". Nenhum dos termos \u00e9 correcto, uma vez que os israelitas s\u00e3o cidad\u00e3os do actual estado de Israel. <em>(e podem ser judeus, \u00e1rabes mu\u00e7ulmanos ou crist\u00e3os, etc.).<\/em>); os palestinianos, por outro lado, s\u00e3o os habitantes modernos de l\u00edngua \u00e1rabe da regi\u00e3o que hoje conhecemos como<\/p>\n<p>Jesus, portanto, n\u00e3o era um israelita (<em>se alguma coisa, Israelita<\/em>), mas nem sequer palestiniano, uma vez que a Palestina n\u00e3o era chamada assim na altura. Este nome foi-lhe atribu\u00eddo pelo imperador Adriano apenas a partir de 135 DC, ap\u00f3s o fim da Terceira Guerra Judaica, quando a antiga prov\u00edncia da Jud\u00e9ia, j\u00e1 despojada dos seus habitantes judeus, foi renomeada, por desprezo por eles, S\u00edria Pal\u00e6stina.<\/p>\n<p>A Palestina propriamente dita era, at\u00e9 essa altura, uma fina faixa de terra, aproximadamente correspondente \u00e0 actual Faixa de Gaza, na qual se situava a antiga Pentapolis filisteia, um grupo de cinco cidades, um Estado habitado por uma popula\u00e7\u00e3o de l\u00edngua indo-europeia historicamente hostil aos judeus: os filisteus.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do primeiro s\u00e9culo AD, o que tinha sido o antigo Reino de Israel, mais tarde dividido em dois reinos, Israel e Jud\u00e1, tinha deixado de ser um Estado independente e estava dividido entre a Jud\u00e9ia e Jud\u00e1. <em>(onde o juda\u00edsmo ortodoxo era mais forte)<\/em>As outras duas regi\u00f5es hist\u00f3ricas, a Galileia e a Samaria, tamb\u00e9m estavam sujeitas a Roma e eram governadas por um praefectus.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo, um planalto central da atual Palestina, era o lar dos samaritanos, descendentes de colonos asi\u00e1ticos importados pelos ass\u00edrios no s\u00e9culo V a.C., na altura da conquista do Reino de Israel.<\/p>\n<p>De facto, os not\u00e1veis daquela zona foram deportados pelos ass\u00edrios, enquanto os prolet\u00e1rios permaneceram na zona e se misturaram com os rec\u00e9m-chegados, dando origem a um culto inicialmente sincr\u00e9tico, mas depois aperfei\u00e7oado, tornando-se monote\u00edsta mas em contraste com o judaico. Se os judeus se consideravam leg\u00edtimos descendentes dos patriarcas e guardi\u00e3es da alian\u00e7a com Jav\u00e9, da Lei e do culto professado no Templo de Jerusal\u00e9m, os samaritanos, pelo contr\u00e1rio, consideravam-se guardi\u00e3es da verdadeira alian\u00e7a e do culto e tinham o seu pr\u00f3prio templo no monte Gerizin, perto da cidade de Siqu\u00e9m.<\/p>\n<h3>\u00a0<\/h3>\n<h3>Galileia<\/h3>\n<p>Esta era uma \u00e1rea com uma popula\u00e7\u00e3o mista <em>(ainda hoje se encontra no Estado de Israel: metade \u00e1rabe e metade judeu).<\/em>: cidades e vilas judaicas <em>(como Nazar\u00e9, Can\u00e1)<\/em> estavam localizadas junto a cidades com uma cultura greco-romana, ou seja, pag\u00e3. <em>(por exemplo, S\u00e9foris, Tiber\u00edades, Cesareia de Filipe).<\/em><\/p>\n<p>A parte da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o que era de f\u00e9 e cultura judaica foi denegrida pelos habitantes da Jud\u00e9ia, que se gabavam de ser mais puros e refinados do que os rudes e briguentos galileus. V\u00e1rias vezes, em rela\u00e7\u00e3o a Jesus, lemos nos Evangelhos que \"nada de bom pode sair de Nazar\u00e9 ou da Galileia\".<\/p>\n<p>Entre outras coisas, n\u00e3o s\u00f3 os Evangelhos, mas tamb\u00e9m os poucos escritos rab\u00ednicos remanescentes daquela \u00e9poca nos dizem que os Galileus tamb\u00e9m foram escarnecidos pela sua maneira de falar. Hebraico e Aramaico <em>(lingua franca falada em todo o M\u00e9dio Oriente na altura, inclusive pelos israelitas ap\u00f3s a deporta\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia iniciada em 587 AC, o ano da conquista de Jerusal\u00e9m e da destrui\u00e7\u00e3o do primeiro templo por Nabucodonosor).<\/em> Como todas as l\u00ednguas sem\u00edticas, elas t\u00eam muitas letras guturais e sons aspirados ou lar\u00edngeos. E os galileus pronunciaram muitas palavras de uma maneira considerada divertida ou vulgar pelos judeus.<\/p>\n<p>Por exemplo, o nome de Jesus, \u05d9\u05b0\u05d4\u05d5\u05b9\u05e9\u05bb\u05c1\u05e2\u05b7, Yehoshu\u201ba, foi pronunciado Yeshu, da\u00ed a transcri\u00e7\u00e3o grega \u0399\u03b7\u03c3\u03bf\u03cd\u03c2 (Yeso\u00fas), e mais tarde o latim Jes\u00fas e o espanhol Jes\u00fas.<\/p>\n<p>A Galileia, por\u00e9m, era um reino vassalo de Roma e era governada por Herodes o Grande, um rei de origem pag\u00e3 literalmente colocado no trono por Augusto, a quem ele era praticamente um subordinado. Herodes, conhecido pela sua crueldade mas tamb\u00e9m pela sua ast\u00facia, tinha feito tudo o que podia para ganhar a simpatia do povo judeu. <em>(e tamb\u00e9m tudo para o manter afastado)<\/em> que nunca o aceitou, especialmente porque ele n\u00e3o era de sangue judeu.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, ele tinha ampliado e embelezado o Templo em Jerusal\u00e9m, que tinha sido reconstru\u00eddo pelo povo de Israel ap\u00f3s o seu regresso do cativeiro babil\u00f3nico. O trabalho para completar a estrutura ainda estava em curso enquanto Jesus estava vivo e foi conclu\u00eddo apenas alguns anos antes de 70 d.C., quando o santu\u00e1rio foi arrasado durante a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos romanos liderados por Tito.<\/p>\n<p>Ao seu lado, mais a nordeste, nas margens orientais do Lago da Galileia, uma confedera\u00e7\u00e3o de dez cidades <em>(a Dec\u00e1polis)<\/em> representava uma ilha cultural helenizada.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_section et_pb_section_153 et_section_regular\">\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_485\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1428  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_543  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h2>A terra e os \"concidad\u00e3os\" de Jesus<\/h2>\n<p>Continuando a hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9, deve ser lembrado neste momento que em Israel naquela \u00e9poca o juda\u00edsmo n\u00e3o era de forma alguma um bloco uniforme. As principais seitas, ou escolas, foram as seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Saducees<\/strong> (Hebraico: \u05d5\u05b9\u05e7\u05b4\u05d9\u05dd\u05e6\u05b7\u05bc\u05d3\u05bc, \u1e63add\u014dq\u012bm); tomaram o nome do fundador da sua seita, \u1e62add\u014dq, e constitu\u00edram a classe sacerdotal e a elite da \u00e9poca. Eram funcion\u00e1rios religiosos ricos, designados para o servi\u00e7o do templo, que n\u00e3o acreditavam na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos ou na exist\u00eancia de anjos, dem\u00f3nios e esp\u00edritos. Al\u00e9m disso, para eles a \u00fanica lei a seguir era a lei escrita, contida na Tor\u00e1 (\u05ea\u05d5\u05b9\u05e8\u05b8\u05d4), ou seja, os primeiros cinco livros da B\u00edblia. <em>(Pentateuco)<\/em>.<\/li>\n<li><strong>Fariseus<\/strong> (Hebraico: \u05e4\u05b0\u05bc\u05e8\u05d5\u05bc\u05e9\u05b4\u05c1\u05d9\u05dd, per\u016b\u0161\u012bm, que significa \"separado\"); eles eram observadores piedosos da lei, acostumados a concentrar-se mesmo nas min\u00facias da pr\u00f3pria lei, que para eles n\u00e3o era apenas a escrita <em>(Torah)<\/em>mas tamb\u00e9m, e sobretudo, a halakhah (\u05d4\u05b2\u05dc\u05b8\u05db\u05b8\u05d4) oral, que se estendia \u00e0s mais variadas ac\u00e7\u00f5es da vida civil e religiosa, e que ia, assim, desde as complicadas regras para os sacrif\u00edcios do culto at\u00e9 \u00e0 lavagem da lou\u00e7a antes das refei\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Os fariseus eram muito parecidos com os judeus ultra-ortodoxos de hoje, dos quais s\u00e3o, na pr\u00e1tica, os precursores; definiam-se como \"separados\", pois consideravam-se opositores de tudo o que n\u00e3o fosse puramente judeu, ou seja, eles pr\u00f3prios. Basta dizer que chamavam \u00e0s pessoas da cidade \u05d4\u05b8\u05d0\u05b8\u05e8\u05b6\u05e5 \u05e2\u05b7\u05dd <em>(\u201bam ha-are\u1e63, pessoas da terra, para as desprezar<\/em>).<\/li>\n<li><strong>Herodianos<\/strong>cujo sensus fidei n\u00e3o \u00e9 inteiramente claro mas cuja lealdade ao rei Herodes era bem conhecida. Eles tamb\u00e9m devem ter estado muito pr\u00f3ximos dos saduceus, pois estes \u00faltimos eram a elite propensa ao poder tanto de Herodes como dos romanos, firmemente determinados a manter os privil\u00e9gios derivados do status quo.<\/li>\n<li><strong>Os m\u00e9dicos da lei<\/strong>ou escreva <em>(Hebraico: \u05e1\u05d5\u05e4\u05e8\u05d9\u05dd, \u1e63\u014dfar\u012bm)<\/em>. Eles codificaram progressivamente tudo o que era poss\u00edvel legislar. Por exemplo, na \u00e9poca de Jesus, a quest\u00e3o mais debatida nas duas principais escolas rab\u00ednicas dos grandes professores Hillel e Shammai era se era permitido comer um ovo feito por uma galinha no Shabbat. <em>(S\u00e1bado)<\/em>.<\/li>\n<li><strong>Zelota, <\/strong>cujo nome em ingl\u00eas deriva do grego \u03b6\u03b7\u03bb\u03c9\u03c4\u03ae\u03c2, Zelotes, mas que em hebraico se chamavam \u05d9\u05dd\u05e0\u05d0\u05e7, qana'\u012bm: ambos os termos, grego e hebraico, significam \"seguidores\" e referem-se ao zelo com que este grupo aderiu \u00e0 doutrina do juda\u00edsmo, mesmo num sentido pol\u00edtico. <em>(entre os disc\u00edpulos de Jesus h\u00e1 um chamado Sim\u00e3o o Cananeu, um atributo que n\u00e3o se refere \u00e0 sua origem geogr\u00e1fica, mas \u00e0 sua perten\u00e7a ao grupo dos Qana'\u012bm, ou seja, os Zelotes).<\/em>. Foram chamados pelos romanos de sicarii, por causa dos punhais. <em>(sic\u00e6)<\/em> escondidos debaixo do manto com que mataram aqueles que foram encontrados a violar os preceitos da lei judaica.<\/li>\n<li><strong>Essenes<\/strong>nunca mencionado nas Escrituras Judaicas ou Crist\u00e3s mas falado por Flavius Josephus, Philo, Pl\u00ednio e outros. Eles constitu\u00edram algo como uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa, concentrada em particular em torno do Mar Morto, perto do o\u00e1sis de Ein Guedi. <em>(a aldeia de Qumran, que j\u00e1 mencion\u00e1mos acima, que eles chamaram Ya\u1e25ad, que significa comunidade).<\/em>. Viviam em celibato, rigidamente separados do resto do mundo, e rejeitavam o culto no Templo e outras seitas judaicas como impuras.<\/li>\n<li>Para se juntar a eles, era necess\u00e1rio completar um noviciado, seguido de uma filia\u00e7\u00e3o real. Eram literalmente fan\u00e1ticos pela pureza ritual. <em>(in\u00fameros banhos rituais foram descobertos em Qumran).<\/em>Elas tamb\u00e9m eram avessas \u00e0s mulheres. N\u00e3o havia propriedade privada entre eles e a posse de armas era proibida. Tem sido feita a hip\u00f3tese de que tanto Jesus como Jo\u00e3o Baptista eram Ess\u00e9nios, mas isto colide com a universalidade da sua mensagem. <em>(aberto, entre outras coisas, \u00e0s mulheres, o que, dissemos, era inadmiss\u00edvel para os pr\u00f3prios Ess\u00e9nios).<\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes eram, ent\u00e3o, os grandes grupos em que o juda\u00edsmo do tempo de Jesus estava dividido. Depois da grande cat\u00e1strofe de 70 e 132 d.C., os \u00fanicos que sobreviveram, do ponto de vista doutrin\u00e1rio, foram precisamente os fariseus, dos quais o juda\u00edsmo moderno \u00e9 descendente.<\/p>\n<p>Deve tamb\u00e9m ser dito que o povo, o povo comum, embora largamente simpatizante dos fariseus, foi considerado por estes \u00faltimos, como j\u00e1 assinal\u00e1mos, como execr\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente estas pessoas que s\u00e3o ridicularizadas por toda a elite sacerdotal, espiritual e intelectual de Israel que Jo\u00e3o Baptista e depois Jesus se ir\u00e3o dirigir primeiro. E s\u00e3o precisamente estas pessoas que acreditar\u00e3o primeiro na mensagem do Nazareno, contra as quais os fariseus, os escribas e os saduceus, que eram inimigos entre si, se unir\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_487\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1434  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_545  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h2>\u00c0 espera de um Messias<\/h2>\n<p>O complexo muito particular de Israel antigo \u00e9 o caldeir\u00e3o no qual uma expectativa muito particular e devotada fervilha. <strong>De quem voc\u00ea est\u00e1 \u00e0 espera?<\/strong> <strong>A um libertador, a um ungido pelo Deus Todo-Poderoso<\/strong> que, tal como fizera com Mois\u00e9s, o pr\u00f3prio Deus se levantaria para libertar o seu povo da escravatura e do dom\u00ednio estrangeiro.<\/p>\n<p><span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-131574\" title=\"natal-natal- nascimento de jesus-belen\" src=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/navidad-nacimiento-de-jesus-belen-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/navidad-nacimiento-de-jesus-belen-1.jpg 800w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/navidad-nacimiento-de-jesus-belen-1-300x178.jpg 300w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/navidad-nacimiento-de-jesus-belen-1-768x456.jpg 768w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/navidad-nacimiento-de-jesus-belen-1.jpg 480w\" alt=\"\u00bfDe d\u00f3nde era Jes\u00fas?\" \/><\/span><\/p>\n<p>Desta vez, por\u00e9m, acreditava-se que o seu reinado nunca terminaria, pois este<em> (\u05de\u05b8\u05e9\u05b4\u05c1\u05d9\u05d7\u05b7, Ma\u0161\u012ba\u1e25 em hebraico e \u03a7\u03c1\u03b9\u03c3\u03c4\u03cc\u03c2, Christ\u00f3s em grego: ambas as palavras significam \"ungido\", para ungido pelo Senhor como rei depois de Saul e do seu sucessor David).<\/em> teria sido apenas um <a href=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/jesus-o-mahoma-quien-tiene-razon-parte-3\/\">profeta<\/a>Os Manuscritos do Mar Morto e as expectativas dos Ess\u00e9nios de Qumran, um pastor-rei e um padre, est\u00e3o bem explicados.<\/p>\n<p>Esta expectativa torna-se, nos anos imediatamente anteriores ao nascimento do Nazareno, cada vez mais ansiosa: alegados messias florescem por toda a parte e, com eles, revoltas sistematicamente reprimidas em sangue <em>(lembre-se de Judas, o Galileu, em 6-7 AC).<\/em>mas tamb\u00e9m <strong>florescem comunidades piedosas que, em virtude de uma profecia muito precisa, aguardam o advento de um libertador<\/strong>.<\/p>\n<p>Sabemos, no entanto, que naquela \u00e9poca de grande estabilidade para o Imp\u00e9rio Romano, mas de fervorosa expectativa para o povo de Israel, <strong>A aten\u00e7\u00e3o de todos, naquele pequeno canto do mundo, estava concentrada na chegada iminente da Libertador:<\/strong> Ter\u00e1 sido sempre assim? Na realidade, a espera por um governante mundial tinha durado v\u00e1rios s\u00e9culos.<\/p>\n<p>A primeira refer\u00eancia encontra-se no livro do G\u00e9nesis <em>(49, 10)\u00a0<\/em> <span style=\"color: #800000;\"><strong>(4)<\/strong><\/span>. Com o tempo, portanto,<strong> a ideia de um ungido do Senhor que governaria sobre Israel intensifica-se e torna-se cada vez mais precisa.<\/strong>Este ungido, este Messias, teria sido um descendente de Jud\u00e1, atrav\u00e9s do Rei David.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_section et_pb_section_156 et_section_regular\">\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_489\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1439  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_547  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h3>Daniel, o \u00faltimo profeta do Antigo Testamento<\/h3>\n<p>Contudo, em 587 a.C., ocorreu a primeira grande decep\u00e7\u00e3o: a captura de Jerusal\u00e9m por Nabucodonosor, que destruiu o templo, pilhou o mobili\u00e1rio sagrado, deportou a popula\u00e7\u00e3o da Jud\u00e9ia para a Babil\u00f3nia e p\u00f4s fim \u00e0 dinastia dos reis descendentes de David. E a\u00ed, por\u00e9m, surge um profeta chamado <strong>Daniel<\/strong>o \u00faltimo profeta do Antigo Testamento, <strong>que profetiza que o Messias viria de facto<\/strong>. Na verdade, a sua chama-se Magna Profecia: nela <em>(Cap\u00edtulo 2)<\/em> \u00e9 proclamado que:<\/p>\n<ul>\n<li>Deus do c\u00e9u estabelecer\u00e1 um reino que nunca ser\u00e1 destru\u00eddo ou dado a outro povo, mas que permanecer\u00e1 para sempre e quebrar\u00e1 todos estes reinos em peda\u00e7os.<\/li>\n<\/ul>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 isso: no cap. 7 \u00e9 especificado que aquele que <strong>est\u00e1 para vir ser\u00e1 \"como um Filho do Homem\".<\/strong> <em>(no Evangelho de Mateus, o Evangelho destinado \u00e0s comunidades judaicas na Palestina, Jesus usa uma express\u00e3o semelhante, \"filho do homem\", usada em todas as outras Escrituras apenas uma vez por Daniel, cerca de 30 vezes).<\/em>.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo 9, por\u00e9m, a profecia tamb\u00e9m \u00e9 feita em termos temporais:<\/p>\n<ul>\n<li>Setenta semanas foram decretadas para o seu povo e a sua cidade santa para p\u00f4r fim \u00e0s suas transgress\u00f5es e pecados, para pedir perd\u00e3o pela sua iniquidade, para estabelecer a justi\u00e7a para sempre, para selar a vis\u00e3o e a profecia, e para consagrar o lugar sant\u00edssimo. Compreenda bem o seguinte: Haver\u00e1 sete semanas desde a promulga\u00e7\u00e3o do decreto que ordena a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m at\u00e9 \u00e0 vinda do pr\u00edncipe escolhido.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Como vemos, a profecia que acaba de ser citada \u00e9 extremamente precisa. No entanto, a tradu\u00e7\u00e3o exacta do termo hebraico \u05e9\u05b8\u05c1\u05d1\u05bb\u05e2\u05b4\u05c1\u05d1\u05b4\u05a8\u05d9\u05dd <em>(\u0161av\u016b\u201b\u012bm, \"\u0161av\u016b\u201b\" indicando o n\u00famero 7 e \"\u012bm\" que \u00e9 o plural masculino)<\/em> n\u00e3o deve ter de ser \"semanas\". <em>(que \u00e9 \u05e2\u05d5\u05ea\u05e9\u05d1\u05d5, \u0161av\u016b\u201b\u014dt, onde \"\u014dt\" denota o final no plural feminino)<\/em>mas \"setenta anos\": na pr\u00e1tica, setenta vezes sete anos. Os contempor\u00e2neos judeus de Jesus compreenderam a passagem correctamente.<\/p>\n<p>Portanto <strong>Os investigadores contempor\u00e2neos n\u00e3o conseguiram compreender o c\u00e1lculo exacto dos tempos de Daniel.<\/strong>: \u00bf<strong>Quando come\u00e7aram a contar os setenta e setenta anos?<\/strong> Bem, descobertas recentes em Qumran permitiram a estudiosos como Hugh Schonfield, um grande especialista no estudo dos Pergaminhos do Mar Morto, demonstrar que n\u00e3o s\u00f3 as escrituras hebraicas j\u00e1 estavam perfeitamente formadas no primeiro s\u00e9culo AD e id\u00eanticas ao que lemos hoje, mas tamb\u00e9m que os Ess\u00e9nios, como muitos dos seus contempor\u00e2neos, j\u00e1 tinham calculado o tempo da Profecia Magna. Para eles, os setenta e setenta anos<\/p>\n<p>Para eles, os setenta e setenta anos <em>(490 anos)<\/em> foram contados a partir de 586 AC, o ano do in\u00edcio do ex\u00edlio babil\u00f3nico, e culminaram em 26 AC, o in\u00edcio da era Messi\u00e2nica. Tanto que desde essa data, como evidenciado pelas escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas, houve um aumento das actividades de constru\u00e7\u00e3o e habita\u00e7\u00e3o em Qumran.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que <strong>n\u00e3o foram apenas os judeus da terra de Israel que alimentaram uma expectativa que os encheu de esperan\u00e7a e fermento<\/strong>. Tacitus e Suetonius, o primeiro na Histori\u00e6 e o segundo na Vida da Vespasian, tamb\u00e9m relatam que muitos no Oriente, de acordo com os seus escritos, esperavam que um governante viesse da Judeia.<\/p>\n<h3><span style=\"color: revert; font-size: revert; font-weight: revert;\">Uma estrela no Oriente? O famoso \"cometa<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_491\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1445  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_549  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p>\u00c9 precisamente o Oriente que nos fornece outro elemento \u00fatil para compreender porque \u00e9 que a expectativa messi\u00e2nica foi t\u00e3o fervorosa entre as duas \u00e9pocas antes e depois de Cristo, ou seja, o facto de <strong>outras culturas tamb\u00e9m esperavam o advento deste \"dominador\" de que se tinha ouvido falar at\u00e9 mesmo em Roma<\/strong>.<\/p>\n<p><span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-131575\" title=\"star-of-belen-birth-jesus\" src=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/estrella-de-belen-naciemiento-jesus-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 610px) 100vw, 610px\" srcset=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/estrella-de-belen-naciemiento-jesus-1.jpg 610w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/estrella-de-belen-naciemiento-jesus-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/estrella-de-belen-naciemiento-jesus-1.jpg 400w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/estrella-de-belen-naciemiento-jesus-1.jpg 480w\" alt=\"\u00bfQui\u00e9n era Jes\u00fas de Nazaret?\" \/><\/span><\/p>\n<p><strong>Os astr\u00f3logos babil\u00f3nicos e persas, de facto, esperavam-no por volta de 7 ou 6 AC.<\/strong> <span style=\"color: #800000;\"><strong>(5)<\/strong><\/span> Porqu\u00ea exactamente nesse intervalo? Por causa da ascens\u00e3o de uma estrela, n\u00f3s sabemos pelo Evangelho de Mateus (cap\u00edtulo 2).<\/p>\n<h3>Mas ser\u00e1 que realmente surgiu uma estrela?<\/h3>\n<p><strong>O astr\u00f3nomo Kepler parece responder primeiro a esta pergunta, pois, em 1603, observou um fen\u00f3meno muito luminoso: n\u00e3o um cometa, mas a aproxima\u00e7\u00e3o, ou conjun\u00e7\u00e3o, dos planetas J\u00fapiter e Saturno na constela\u00e7\u00e3o Peixes.<\/strong><\/p>\n<p>Kepler fez ent\u00e3o alguns c\u00e1lculos e estabeleceu que a mesma conjun\u00e7\u00e3o ocorreria em 7 AC.<strong> Ele tamb\u00e9m encontrou um antigo coment\u00e1rio rab\u00ednico, que sublinhava que a vinda do Messias deveria coincidir precisamente com o tempo dessa mesma conjun\u00e7\u00e3o astral.<\/strong><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m, por\u00e9m, naquela \u00e9poca, deu cr\u00e9dito \u00e0 intui\u00e7\u00e3o de Kepler, tamb\u00e9m porque naquela \u00e9poca ainda se pensava que Jesus tinha nascido no ano 0. S\u00f3 no s\u00e9culo 18 outro estudioso, Friederich Christian M\u00fcnter, Luterano e Ma\u00e7on, decifrou um Coment\u00e1rio sobre o livro de Daniel, o mesmo que os \"setenta e setenta anos\", no qual a cren\u00e7a judaica j\u00e1 trazida \u00e0 luz por Kepler foi confirmada.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio esperar at\u00e9 que o <strong>S\u00e9culo XIX para esclarecer o que aconteceu a este fen\u00f3meno astron\u00f3mico observado por Kepler.<\/strong>A publica\u00e7\u00e3o de dois documentos importantes \u00e9 uma das principais raz\u00f5es para isto:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>A Mesa Planet\u00e1ria,<\/strong> em 1902, um papiro eg\u00edpcio em que os movimentos planet\u00e1rios s\u00e3o registados com precis\u00e3o e em particular, por observa\u00e7\u00e3o directa, a conjun\u00e7\u00e3o J\u00fapiter-Saturno na constela\u00e7\u00e3o de Peixes no ano 7 AC. \u00c9 definido como muito brilhante;<\/li>\n<li><strong>O Calend\u00e1rio Sippar Star<\/strong>uma t\u00e1bua de terracota escrita em caracteres cuneiformes, de origem babil\u00f3nica, que relaciona os movimentos das estrelas no ano 7 a.C., um ano em que, segundo os astr\u00f3nomos babil\u00f3nicos, esta conjun\u00e7\u00e3o teria ocorrido tr\u00eas vezes (29 de Maio, 1 de Outubro e 5 de Dezembro), enquanto que o mesmo acontecimento ocorre normalmente uma vez em cada 794 anos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Como, portanto, no simbolismo dos babil\u00f4nios J\u00fapiter representava o planeta dos governantes do mundo, Saturno o planeta protetor de Israel e a constela\u00e7\u00e3o de Peixes foi o sinal do fim dos tempos, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o absurdo pensar que os magos <span style=\"color: #800000;\"><strong>(6)<\/strong><\/span>\u00a0 do Oriente esperava, tendo tido a oportunidade de prever com extraordin\u00e1ria precis\u00e3o, o advento de algo particular na Judeia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_section et_pb_section_159 et_section_regular\">\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_493\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1450  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_551  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h2>Em Bel\u00e9m da Judeia: porqu\u00ea aqui?<\/h2>\n<p>Bel\u00e9m \u00e9 agora uma cidade na Cisjord\u00e2nia e n\u00e3o h\u00e1 nada de buc\u00f3lico ou de nativo nela. No entanto, se voltarmos ao tempo da hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9, h\u00e1 dois mil anos atr\u00e1s, era na realidade uma pequena aldeia de algumas centenas de almas.<\/p>\n<h3>Foi precisamente aqui que Jesus nasceu, apesar da sua fam\u00edlia ter vivido em Nazar\u00e9?<\/h3>\n<p>Mais tarde mencionaremos o censo em nome de C\u00e9sar Augusto, que \u00e9 uma das respostas a esta pergunta. Al\u00e9m disso, em Bel\u00e9m, pequena mas conhecida por ser a p\u00e1tria do rei David, o messias esperado pelo povo de Israel deveria, de acordo com as escrituras, ter nascido.<span style=\"color: #800000;\"><strong>(7)<\/strong><\/span>. Para al\u00e9m do tempo, portanto, tanto os israelitas como os seus vizinhos orientais tamb\u00e9m conheciam o lugar onde o \"libertador\" do povo judeu viria ao mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso notar como o nome desta localidade, composto por dois termos diferentes, significa: \"casa do p\u00e3o\" em hebraico (\u05d1\u05b5\u05bc\u05bd\u05d9\u05ea = bayt ou be\u1e6f: casa; \u05dc\u05b6\u05a3\u05d7\u05b6\u05dd = le\u1e25em: p\u00e3o); \"casa de carne\" em \u00e1rabe (\ufe91\ufef4\ufe96 = bayt ou beyt, casa; \u0644\u064e\u062d\u0652\u0645\u064d = la\u1e25m, carne); \"casa de peixe\" nas antigas l\u00ednguas da Ar\u00e1bia do Sul. Todas as l\u00ednguas mencionadas s\u00e3o de origem sem\u00edtica e, nestas l\u00ednguas, a partir da mesma raiz de tr\u00eas letras, \u00e9 poss\u00edvel derivar muitas palavras ligadas ao significado original da raiz de origem.<\/p>\n<p>No nosso caso, o do nome composto Bel\u00e9m, temos duas ra\u00edzes: b-y-t, da qual deriva Bayt ou Beth; l-\u1e25-m da qual deriva Le\u1e25em ou La\u1e25m. <strong>Em todos os casos Bayt\/Beth significa casa,<\/strong> por Le\u1e25em\/Le\u1e25em muda o seu significado de acordo com a l\u00edngua.<\/p>\n<p>A resposta est\u00e1 na origem das popula\u00e7\u00f5es a que estas l\u00ednguas pertencem. Os judeus, como os arameanos e outras popula\u00e7\u00f5es sem\u00edticas do noroeste, viviam no chamado Crescente F\u00e9rtil, que \u00e9 uma grande \u00e1rea entre a Palestina e a Mesopot\u00e2mia onde a agricultura \u00e9 poss\u00edvel e, consequentemente, eles eram um povo sedent\u00e1rio.<\/p>\n<p>A sua principal fonte de subsist\u00eancia era, portanto, o p\u00e3o, juntamente com os frutos do trabalho da terra. Os \u00e1rabes eram um povo n\u00f3mada ou semi-n\u00f3mada do norte e do centro da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, essencialmente des\u00e9rtica.<\/p>\n<p>Assim, o seu principal sustento provinha da ca\u00e7a e da cria\u00e7\u00e3o de gado, o que fazia da carne o seu alimento por excel\u00eancia. Por fim, os \u00e1rabes do sul viviam nas costas meridionais da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e o seu principal alimento era o peixe. Assim, podemos compreender porque \u00e9 que a mesma palavra, em tr\u00eas l\u00ednguas sem\u00edticas diferentes, tem o significado de tr\u00eas alimentos diferentes.<\/p>\n<p>Consequentemente, <strong>pode ser observado que Bel\u00e9m tem, para diferentes povos, um significado aparentemente diferente mas na realidade un\u00edvoco<\/strong>O nome indica n\u00e3o tanto o lar do p\u00e3o, da carne ou do peixe, mas sim<strong> a casa da verdadeira nutri\u00e7\u00e3o, aquela de que pode prescindir, aquela de que depende o seu sustento, aquela sem a qual n\u00e3o pode viver.<\/strong><\/p>\n<p>Curiosamente, Jesus, falando de si mesmo, disse: \"A minha carne \u00e9 verdadeira comida e o meu sangue \u00e9 verdadeira bebida\". <em>(Jo 6:51-58) (Gv 6:51-58)<\/em>. Esta compara\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica \u00e9 um exemplo de como a filologia pode dar uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para a aproxima\u00e7\u00e3o da figura do \"Jesus hist\u00f3rico\" e a compreens\u00e3o do seu lugar no seu contexto cultural.<\/p>\n<p>Chegamos, contudo, a outro ponto: para al\u00e9m das especula\u00e7\u00f5es filol\u00f3gicas e exeg\u00e9ticas.<\/p>\n<h3>Ser\u00e1 que Jesus nasceu realmente em Bel\u00e9m?<\/h3>\n<p>A hist\u00f3ria contou-nos que j\u00e1 em meados do s\u00e9culo II, S\u00e3o Justino, um natural da Palestina, escreveu sobre a caverna\/est\u00e1bulo em Bel\u00e9m, cuja mem\u00f3ria j\u00e1 tinha sido transmitida de pai para filho h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. At\u00e9 Or\u00edgenes, um autor do s\u00e9culo III, confirma que em Bel\u00e9m os pr\u00f3prios crist\u00e3os e n\u00e3o-crist\u00e3os sabiam a localiza\u00e7\u00e3o da caverna em si.<\/p>\n<h3>\u00a0Porque \u00e9 que falamos de \"mem\u00f3ria\"?<\/h3>\n<p>Porque o Imperador Adriano, com a inten\u00e7\u00e3o de apagar da mem\u00f3ria os locais judeus e judaico-crist\u00e3os na nova prov\u00edncia da Palestina depois das Guerras Judaicas, quis construir, a partir de 132, templos pag\u00e3os exactamente no topo dos locais onde se situavam os locais da antiga f\u00e9 da regi\u00e3o. <span style=\"color: #800000;\"><strong>(8)<\/strong><\/span>. Isto \u00e9 confirmado por S\u00e3o Jer\u00f4nimo <span style=\"color: #800000;\"><strong>(9)<\/strong><\/span>o autor da primeira tradu\u00e7\u00e3o em latim de toda a B\u00edblia, a Vulgata.<em> (Jer\u00f4nimo viveu 40 anos em Bel\u00e9m)<\/em> e Cirilo de Jerusal\u00e9m <span style=\"color: #800000;\"><strong>(10)<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>Tal como em Jerusal\u00e9m, Adriano mandou erigir est\u00e1tuas de J\u00fapiter e de V\u00e9nus no local dos santu\u00e1rios para honrar a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. <em>(Jerusal\u00e9m tinha sido entretanto reconstru\u00edda sob o nome de Aelia Capitolina).<\/em>, <strong>Em Bel\u00e9m, uma floresta sagrada para Tamuz, ou Ad\u00f3nis, foi plantada sobre a gruta onde Jesus nasceu.<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, foi gra\u00e7as ao estratagema de Damnatio Memori\u00e6 de Hadrian que os s\u00edmbolos pag\u00e3os se tornaram pistas para encontrar vest\u00edgios de locais enterrados, cuja mem\u00f3ria sempre tinha sido preservada. Assim, o primeiro imperador crist\u00e3o Constantino e a sua m\u00e3e Helena conseguiram encontrar os pontos exactos onde estavam localizados os primitivos domus ecclesi\u00e6. <span style=\"color: #800000;\"><strong>(11)<\/strong><\/span>que o<strong>Mais tarde tornaram-se igrejas onde as mem\u00f3rias e rel\u00edquias da vida de Jesus de Nazar\u00e9 eram veneradas e guardadas.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_494\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_1453  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_with_border et_pb_module et_pb_text et_pb_text_552 elemento-firma  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h2>Refer\u00eancias ao longo do artigo<\/h2>\n<ol>\n<li>Jean Guitton elaborou as suas tr\u00eas \"solu\u00e7\u00f5es\" ao reflectir sobre as tr\u00eas fases da pesquisa historiogr\u00e1fica sobre Jesus de Nazar\u00e9: a Primeira, a Segunda e a Terceira pesquisa. Voltaremos a este t\u00f3pico num artigo futuro.<\/li>\n<li>Num artigo dedicado \u00e0 pesquisa historiogr\u00e1fica, metodologia e fontes sobre Jesus, ser\u00e3o dados alguns exemplos de progresso nas descobertas sobre o \"Jesus hist\u00f3rico\", progressivamente separado do \"Cristo da f\u00e9\" a partir do s\u00e9culo XVII.<\/li>\n<li>Benedetto XVI, Ges\u00f9 di Nazareth, Doubleday, 2017 (pp. 12-13)<\/li>\n<li>\"O cetro n\u00e3o se afastar\u00e1 de Jud\u00e1, nem o bast\u00e3o de entre os seus p\u00e9s, at\u00e9 que venha o verdadeiro rei, que \u00e9 digno da obedi\u00eancia do povo\".<\/li>\n<li>\u00c9 agora quase universalmente aceite pelos investigadores que o ano do nascimento de Jesus \u00e9 6 a.C., devido a um erro cometido pelo monge Dion\u00edsio, o Menor, que, em 533, calculou o in\u00edcio da nossa era a partir do nascimento de Cristo, mas adiou-o por cerca de seis anos.<\/li>\n<li>Em grego s\u00e3o chamados \u03bc\u03ac\u03b3\u03bf\u03b9, m\u00e1goi, palavra derivada do antigo persa mag\u016bsh, t\u00edtulo reservado aos sacerdotes da religi\u00e3o zoroastriana.<\/li>\n<li>\"Mas de v\u00f3s, Bel\u00e9m Efrata, pequena entre os cl\u00e3s de Jud\u00e1, sair\u00e1 aquele que h\u00e1 de governar Israel, cujas origens remontam a tempos antigos, a tempos imemoriais. Portanto, Deus os entregar\u00e1 ao inimigo at\u00e9 que ela, que vai ser a m\u00e3e deles, tenha o seu filho, e o resto dos seus irm\u00e3os regressem ao povo de Israel. Mas levantar-se-\u00e1 para os pastorear no poder do Senhor, na majestade do nome do Senhor seu Deus. Eles viver\u00e3o em seguran\u00e7a, pois ele governar\u00e1 os confins da terra\" (Miqu\u00e9ias, cap\u00edtulo 5).<\/li>\n<li>Nessa altura, a distin\u00e7\u00e3o entre juda\u00edsmo e cristianismo ainda n\u00e3o era totalmente clara. Especialmente entre os pag\u00e3os, mas tamb\u00e9m entre os judeus-crist\u00e3os, havia uma tend\u00eancia para considerar as seitas crist\u00e3s e judaicas como a mesma religi\u00e3o.<\/li>\n<li>S\u00e3o Jer\u00f4nimo, Cartas, 58 (Ad Paulinum presbyterum), 3.<\/li>\n<li>S\u00e3o Cirilo de Jerusal\u00e9m, Catequese, 12, 20: \"At\u00e9 h\u00e1 poucos anos atr\u00e1s o lugar estava coberto por uma floresta\".<\/li>\n<li>Uma domus ecclesia \u00e9 literalmente uma casa\/igreja: os primeiros lugares crist\u00e3os eram, de facto, casas que tinham surgido ou existiam anteriormente onde havia lugares considerados sagrados (por exemplo, a casa de Maria em Nazar\u00e9; a casa de Pedro em Cafarnaum, etc.). As primeiras comunidades crist\u00e3s reuniam-se a\u00ed para celebrar os seus ritos. Progressivamente, as casas foram-se transformando em pequenas igrejas, alargando-se at\u00e9 se tornarem, em alguns casos, verdadeiras bas\u00edlicas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Este processo, em particular, pode ser perfeitamente observado em Cafarnaum, onde arque\u00f3logos franciscanos e israelitas desenterraram o que \u00e9 universalmente conhecido como a \"casa de Pedro\", uma sala quadrangular, com cerca de oito metros de lado, cujo ch\u00e3o de terra batida foi coberto com cal no final do s\u00e9culo I e com pavimento policromado antes do s\u00e9culo V. Por cima, tinha sido constru\u00eddo um edif\u00edcio octogonal, que assentava sobre a sala do s\u00e9culo I. Este procedimento de investiga\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica \u00e9 id\u00eantico ao utilizado em Roma para as escava\u00e7\u00f5es na Necr\u00f3pole do Vaticano, sob a atual Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, ou nas Catacumbas de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, etc.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Gerardo Ferrara<\/strong>Licenciado em Hist\u00f3ria e Ci\u00eancia Pol\u00edtica, especializado no M\u00e9dio Oriente.<br>Respons\u00e1vel pelos estudantes da Pontif\u00edcia Universidade da Santa Cruz em Roma.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo foi dito sobre Jesus de Nazar\u00e9, e tudo foi dito em contr\u00e1rio. O que \u00e9 certo \u00e9 que a sua figura foi a pedra angular da hist\u00f3ria.<br \/>\nO objetivo destas p\u00e1ginas \u00e9 tentar dar algumas ideias para aqueles que desejam abordar a sua figura de um ponto de vista hist\u00f3rico, respondendo, em particular, a algumas quest\u00f5es que me foram colocadas por alguns jovens amigos.<br \/>\nO primeiro problema, por\u00e9m, \u00e9 definir o que \u00e9 a hist\u00f3ria, especialmente no que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o de \"Jesus\".<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":183592,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"give_campaign_id":0,"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-183067","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183067"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183067\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":216317,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183067\/revisions\/216317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}