{"id":182950,"date":"2024-09-11T06:00:00","date_gmt":"2024-09-11T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/chiara-lubich-y-el-jesus-de-la-cuarta-palabra\/"},"modified":"2025-03-03T10:48:34","modified_gmt":"2025-03-03T09:48:34","slug":"chiara-lubich-y-el-jesus-de-la-cuarta-palabra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/chiara-lubich-y-el-jesus-de-la-cuarta-palabra\/","title":{"rendered":"Chiara Lubich e o Jesus da quarta palavra"},"content":{"rendered":"<p class=\"et_pb_section et_pb_section_83 et_section_regular\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Chiara \u00e9 uma refer\u00eancia indispens\u00e1vel nestes tempos dif\u00edceis quando muitos crist\u00e3os se sentem desencorajados porque s\u00e3o uma minoria no meio de uma sociedade plural e complexa, que parece viver de costas para Deus.<\/span><\/p>\n<div class=\"et_pb_section et_pb_section_84 et_section_regular\">\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_279\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_823  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_312  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h3>A import\u00e2ncia dos textos de Chiara<\/h3>\n<p>Estes crist\u00e3os sentem-se abandonados e nost\u00e1lgicos por um tempo passado, supostamente id\u00edlico, que eles n\u00e3o viveram. Eles s\u00e3o vencidos pela tristeza e assemelham-se \u00e0 mulher dobrada no Evangelho (Lc 13,10-17), incapaz de levantar a cabe\u00e7a para o c\u00e9u. Estes crist\u00e3os, necessitados de reconquistar os seus <a href=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/es\/amaras-al-projimo-como-a-ti-mismo\/\">alegria que Cristo nos traz<\/a>Seria bom para eles aprofundar e meditar nos textos de Chiara, uma mulher sempre atenta \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo. Ela sabia muito bem que a for\u00e7a do crist\u00e3o \u00e9 sempre emprestada, pois a nossa fraqueza torna-se for\u00e7a em Cristo.<\/p>\n<h3>Chiara e a figura de Cristo<\/h3>\n<p>Um dos meus textos favoritos de Chiara Lubich \u00e9 um artigo escrito para a ag\u00eancia Zenit para a Sexta-feira Santa de 2000. Ela tinha oitenta anos na altura, embora o pudesse ter escrito no in\u00edcio da sua jornada espiritual, pois aqui encontramos um dos tra\u00e7os mais caracter\u00edsticos da sua espiritualidade: <strong>medita\u00e7\u00e3o sobre Jesus abandonado<\/strong>.<\/p>\n<p>Em contraste com as expectativas dos crist\u00e3os apegados \u00e0 suposta seguran\u00e7a vivida noutros tempos, Chiara apresenta a figura de um Cristo despojado da sua divindade na cruz, para se unir ainda mais ao homem, para experimentar a ang\u00fastia e o desamparo do ser humano em certos momentos da sua vida. Este \u00e9 o sentido da quarta palavra pronunciada na cruz: \"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste\" (Mt 27,47).<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-214034\" src=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Chiara_Lubich.jpg\" alt=\"Chiara Lubich\" width=\"659\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Chiara_Lubich.jpg 477w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Chiara_Lubich-300x240.jpg 300w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Chiara_Lubich-150x120.jpg 150w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Chiara_Lubich-15x12.jpg 15w\" sizes=\"(max-width: 659px) 100vw, 659px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_313  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h3>Chiara e os feridos da vida<\/h3>\n<p>Uma vez li uma explica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o me convenceu em nada: Jesus tinha come\u00e7ado a rezar um salmo contendo estas palavras e o seu esgotamento impediu-o de continuar a sua ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que Jesus pudesse estar a rezar esse salmo, mas o facto \u00e9 que as suas palavras expressam claramente o que ele estava a sentir naquele momento. Durante s\u00e9culos n\u00e3o foi dada aten\u00e7\u00e3o suficiente a esta quarta palavra, talvez porque alguns a imaginavam como uma pergunta sem resposta.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00f3s, os crentes, sabemos, como se recorda <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Chiara_Lubich\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chiara<\/a>que o Pai ressuscitou e exaltou o seu Filho para sempre. A este respeito, sublinha ainda: \"Nele, o amor foi anulado, a luz foi extinta, a sabedoria foi silenciada. Est\u00e1vamos separados do Pai. Era necess\u00e1rio que o Filho, em quem todos nos encontramos, provasse a separa\u00e7\u00e3o do Pai. Teve de experimentar o abandono de Deus para que n\u00f3s deix\u00e1ssemos de nos sentir abandonados\".<\/p>\n<h3>A esperan\u00e7a aos p\u00e9s de Cristo<\/h3>\n<p>Chiara v\u00ea neste Jesus que grita o seu abandono muitas pessoas que sofrem fisicamente, como os cegos, os mudos ou os surdos, mas v\u00ea tamb\u00e9m aqueles que sofrem no esp\u00edrito: os desiludidos, os tra\u00eddos, os medrosos, os t\u00edmidos, os desorientados... Estes \u00faltimos s\u00e3o os feridos da vida, express\u00e3o usada algumas vezes por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, e que vi h\u00e1 pouco tempo como letreiro de uma sec\u00e7\u00e3o numa livraria de Lourdes. Penso que os doentes de esp\u00edrito s\u00e3o muito mais numerosos do que os outros, porque numa sociedade pouco solid\u00e1ria, h\u00e1 in\u00fameras pessoas que vivem na solid\u00e3o e no desamparo.<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 abandonado neles, porque, como diz Chiara: \"Jesus \u00e9 abandonado neles\".<strong>N\u00f3s podemos v\u00ea-lo em cada irm\u00e3o que sofre. Ao aproximarmo-nos daqueles que se assemelham a Ele, podemos falar-lhes de Jesus abandonado.<\/strong>\".<\/p>\n<p>Os sofredores foram vendidos a ideia de que a sua vida \u00e9 um fracasso e que nada vale a pena. <strong>Mas Jesus tem sofrido muito mais do que todos eles<\/strong>. Chiara lembra-nos que por detr\u00e1s de todos os aspectos dolorosos da vida, est\u00e1 o rosto de Cristo. Poder\u00edamos acrescentar que \u00e9 um rosto concreto com uma identidade, mesmo que tenha representa\u00e7\u00f5es muito variadas, e se o seu rosto \u00e9 reconhec\u00edvel, tamb\u00e9m deve ser o rosto dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, porque, como Chiara assinala, cada um deles \u00e9 Ele.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 nossa tarefa transformar a dor em amor, uma tarefa que parece humanamente imposs\u00edvel, mas que ser\u00e1 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a e outros dons do Esp\u00edrito de Cristo.<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_1_5 et_pb_column_824  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et-last-child et_pb_column_empty\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_280\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_1_5 et_pb_column_825  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et_pb_column_empty\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_826  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_image et_pb_image_29\">\n<p><span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-27539\" title=\"\" src=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/chiara-lubich-y-juan-pablo-segundo-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 477px) 100vw, 477px\" srcset=\"https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/chiara-lubich-y-juan-pablo-segundo-1.jpg 477w, https:\/\/fundacioncarf.org\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/chiara-lubich-y-juan-pablo-segundo-1-200x300.jpg 200w\" alt=\"\" \/><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_with_border et_pb_module et_pb_text et_pb_text_314 leyenda  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p>A ideia de Jo\u00e3o XXIII sobre a Igreja como sinal e instrumento de unidade, que foi a alma do Conc\u00edlio Vaticano II, estava em sintonia \u00fanica com o carisma de Chiara Lubich.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_281\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_829  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_315  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h3>Chiara e a sua vis\u00e3o da juventude<\/h3>\n<p>A evoca\u00e7\u00e3o do abandono de Cristo crucificado leva-me a relacionar Chiara com Olivier Cl\u00e9ment, conhecido te\u00f3logo ortodoxo franc\u00eas. Ambos tinham uma grande admira\u00e7\u00e3o pelo Patriarca Aten\u00e1goras e tiveram alguns encontros pessoais que registaram nos seus escritos. Perante as tempestades pol\u00edticas e sociais da \u00e9poca, como o maio de 68, Aten\u00e1goras n\u00e3o era pessimista nem nost\u00e1lgico de um passado supostamente melhor, e assegurava a Cl\u00e9ment que esses jovens manifestantes o inspiravam com compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o se apercebam disso, s\u00e3o jovens completamente abandonados e o seu grito \u00e9 nada mais nada menos do que o grito dos \u00f3rf\u00e3os. O patriarca, grande conhecedor da humanidade, v\u00ea a revolta dos estudantes como um grito de socorro. Por seu lado, Cl\u00e9ment sublinha que, apesar do aparente triunfo do niilismo, existe um grande vazio num movimento de protesto que se pretende herdeiro de Marx, Nietzsche e Freud.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_282\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_1_3 et_pb_column_832  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_316 frase-destacada  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<blockquote>\n<p>\"Ao contr\u00e1rio da economia de consumo, baseada na cultura do ter, a economia de comunh\u00e3o \u00e9 a economia do dar ....\". Chiara Lubich.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_283\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_3_5 et_pb_column_835  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_317  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<h3>Aut\u00eantico ecumenismo crist\u00e3o<\/h3>\n<p>Acreditam, como tantos outros, na transforma\u00e7\u00e3o das estruturas, ou talvez nem isso, embora n\u00e3o se d\u00eaem conta de que a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o criativa da hist\u00f3ria \u00e9 aquela que nasce da transforma\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es. Chiara Lubich, por sua vez, testemunha de um tempo turbulento em que Cristo \u00e9 mais uma vez abandonado e substitu\u00eddo por utopias sem esperan\u00e7a, encontra em Aten\u00e1goras o cora\u00e7\u00e3o de um pai, um esp\u00edrito jovem cheio de f\u00e9 e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o o descreve como um irm\u00e3o separado, express\u00e3o muito frequente no per\u00edodo p\u00f3s-conciliar, porque est\u00e1 convencido de que pertencem \u00e0 mesma casa, \u00e0 mesma fam\u00edlia. Este \u00e9 o verdadeiro ecumenismo, no qual as diferen\u00e7as perderam a cor gra\u00e7as ao sol da caridade. De tal modo que o grito de Jesus abandonado na cruz \u00e9 necessariamente dirigido a todos os crist\u00e3os sem exce\u00e7\u00e3o. O encontro com Jesus abandonado, presente em tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s que n\u00e3o podemos deixar sozinhos, \u00e9 um bom exemplo de ecumenismo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Antonio R. Rubio Plo<\/strong>Licenciado em Hist\u00f3ria e em Direito. Escritor e analista internacional.<br>@blogculturayfe \/ @arubioplo<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O centen\u00e1rio do nascimento de Chiara Lubich \u00e9 uma boa oportunidade para olhar mais de perto para um dos grandes representantes da espiritualidade contempor\u00e2nea, um m\u00edstico para o nosso tempo.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":183474,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"give_campaign_id":0,"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-182950","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182950"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":214036,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182950\/revisions\/214036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}