{"id":181808,"date":"2023-05-15T21:00:32","date_gmt":"2023-05-15T19:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/staging.fundacioncarf.org\/colabora\/pon-cara-a-tu-donativo\/elio-azuaje-villegas\/"},"modified":"2025-07-23T11:31:51","modified_gmt":"2025-07-23T09:31:51","slug":"elio-azuaje-villegas","status":"publish","type":"candidatos","link":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/colabora\/pon-cara-a-tu-donativo\/elio-azuaje-villegas\/","title":{"rendered":"Elio Azuaje Villegas"},"content":{"rendered":"
Elio Azuaje Villegas \u00e9 um padre venezuelano da diocese de Trujillo que carrega no seu sangue a paix\u00e3o e o calor do seu povo.<\/p>\n
\"<\/span>\"A minha hist\u00f3ria \u00e9 uma hist\u00f3ria muito venezuelana, pois nasci em Caracas para pais de Trujillo que tinham emigrado para a capital ap\u00f3s o boom petrol\u00edfero dos anos 60 na Venezuela, em busca de uma oportunidade de vida melhor. Eu sou o terceiro de cinco irm\u00e3os, frequentei a escola prim\u00e1ria numa escola p\u00fablica e frequentei um vicariato paroquial dirigido pelas Irm\u00e3s Carmelitas do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n A\u00ed preparei-me para a comunh\u00e3o e confirma\u00e7\u00e3o e aos 12 anos de idade j\u00e1 estava a ajudar como assistente a ensinar catecismo a outras crian\u00e7as. Foi a\u00ed que nasceu a minha voca\u00e7\u00e3o desde muito cedo e come\u00e7ou o meu desejo de entrar num semin\u00e1rio menor.<\/p>\n A minha voca\u00e7\u00e3o foi muito cedo e n\u00e3o foi t\u00e3o f\u00e1cil, porque na Arquidiocese de Caracas j\u00e1 n\u00e3o havia um semin\u00e1rio menor e tive de esperar at\u00e9 terminar o que na Venezuela se chama baccalaur\u00e9at: estava a dois anos de dist\u00e2ncia e tinha 13 anos de idade.<\/p>\n Foi a\u00ed que, atrav\u00e9s das irm\u00e3s, conheci os Padres Carmelitas e comecei a seguir a minha voca\u00e7\u00e3o, eles deram-me a oportunidade de entrar no semin\u00e1rio menor, foi uma experi\u00eancia muito profunda apesar da minha pouca idade, e tive que superar muitos obst\u00e1culos, a come\u00e7ar pelos meus pais.<\/p>\n Era dif\u00edcil permitir que um filho menor dele que nunca tinha sa\u00eddo de casa fosse para o semin\u00e1rio. O meu pai tinha outros planos em mente para mim, mas eu agarrei-me ao facto de que tinha de ir ao semin\u00e1rio e com a ajuda de Deus, manifestada atrav\u00e9s de tantas pessoas que eu chamo anjos, pouco a pouco, com dor e sofrimento, eu superei as prova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n Chegou o grande dia em que recordarei toda a minha vida quando entrei no semin\u00e1rio menor dos Padres Carmelitas, lembro-me que para mim foi uma grande alegria e profunda satisfa\u00e7\u00e3o estar l\u00e1, tanto que a separa\u00e7\u00e3o dos meus pais e irm\u00e3os n\u00e3o me afectou em nada, eu estava onde eu queria estar.<\/p>\n O noviciado com os Carmelitas foi uma experi\u00eancia que tamb\u00e9m me permitiu conhecer, atrav\u00e9s de alguns colegas estudantes, a vida diocesana e at\u00e9 tive que escolher a que diocese me candidatar.<\/p>\n E a\u00ed descobri algo muito importante: a minha voca\u00e7\u00e3o para trabalhar nas zonas rurais das par\u00f3quias rurais.<\/p>\n Os Padres Carmelitas levaram-nos de f\u00e9rias para as miss\u00f5es, e l\u00e1 descobri o prazer de lidar e trabalhar com pessoas das prov\u00edncias, pessoas simples, nobres e generosas. Os meus pais s\u00e3o do interior do pa\u00eds e nas f\u00e9rias levavam-nos sempre \u00e0 aldeia onde viviam os nossos av\u00f3s, tios, tias e tios e outros familiares: muitos deles viviam no campo e foi por isso que pensei em candidatar-me \u00e0 diocese onde eu tinha as minhas ra\u00edzes.<\/p>\n Tive a oportunidade de conhecer o Bispo de Trujillo nessa altura: recordarei sempre aquele primeiro encontro com este vener\u00e1vel Bispo que significou para a minha vida uma pessoa muito importante e especial, ele confiou em mim, foi o Bispo que me ordenou, e que me guiou durante muitos anos, ele j\u00e1 goza da presen\u00e7a de Deus desde o Domingo de Ramos de 2018 quando partiu para a casa do Pai, agrade\u00e7o a Deus por me ter permitido conhecer um bar\u00e3o t\u00e3o santo e distinto pastor.<\/p>\n Tive muitas dificuldades pelo caminho, principalmente devido \u00e0 falta de semin\u00e1rios, uma vez que n\u00e3o havia um semin\u00e1rio importante em Trujillo, por isso os seminaristas foram enviados para semin\u00e1rios noutras dioceses.<\/p>\n Na minha diocese na altura havia cerca de 80 seminaristas e as nossas fam\u00edlias n\u00e3o tinham meios para pagar os seus estudos, o bispo e a diocese tiveram que mover pe\u00e7as e fazer milagres para manter tantos seminaristas, um dos crit\u00e9rios era envi\u00e1-los para os semin\u00e1rios onde as propinas eram mais baratas, foi por isso que fui enviado para o outro extremo do pa\u00eds: uma experi\u00eancia nova mas que me agradou muito.<\/p>\n Fui ordenado sacerdote a 15 de Agosto de 2000, por Monsenhor Vicente. Que grande dia, e que grande n\u00famero de sacerdotes, seminaristas...! E tamb\u00e9m os meus pais e irm\u00e3os e os meus sobrinhos e sobrinhas e outros familiares e amigos. Fui ordenado na par\u00f3quia onde tinha feito o meu ano pastoral, em Burbusay.<\/p>\n Ap\u00f3s cinco anos como sacerdote na minha diocese, D. Vicente enviou-me para Espanha para estudar Hist\u00f3ria da Igreja na Universidade Pontif\u00edcia de Comillas, onde fiquei durante tr\u00eas anos.<\/p>\n Uma vez terminado o ano acad\u00e9mico, regressei \u00e0 Venezuela para continuar o meu trabalho pastoral.<\/p>\n \u00c0 minha chegada fui nomeado administrador paroquial de uma par\u00f3quia em Trujillo durante alguns meses, antes de me mudar para Bocon\u00f3 e preparar as funda\u00e7\u00f5es para uma nova par\u00f3quia eclesi\u00e1stica neste arquipiscopado.<\/p>\n Estive l\u00e1 em Bocon\u00f3 durante 9 anos, 5 como p\u00e1roco e 4 a preparar a funda\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia de San Antonio de Padua de Mosquey. Foi um per\u00edodo de muitas b\u00ean\u00e7\u00e3os, embora cheio de dificuldades e desafios: aprendi muitas coisas e tive a oportunidade de estudar educa\u00e7\u00e3o na universidade civil, de ensinar e de ser capel\u00e3o de uma escola. E a beleza de fundar uma par\u00f3quia no campo \u00e9 desfrutar da generosidade do povo: fundar uma par\u00f3quia na Venezuela neste momento \u00e9 dif\u00edcil, porque n\u00e3o h\u00e1 nada para construir, \u00e9 l\u00e1 que o Senhor tenta, mas tamb\u00e9m age e sente e experimenta a ac\u00e7\u00e3o de Deus nas obras que s\u00e3o feitas em Seu nome. Conseguimos fazer tantas coisas gra\u00e7as \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o e ao trabalho de tantas pessoas que entusiasticamente queriam ver o sonho de ser uma par\u00f3quia eclesi\u00e1stica tornar-se realidade.<\/p>\n Nos \u00faltimos 4 anos os n\u00edveis de fome e escassez t\u00eam sido espantosos, e ultimamente a macro e cont\u00ednua desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda, que n\u00e3o s\u00f3 significa que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para comprar, mas que o dinheiro j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel, tudo isto e muito mais resultou numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia humanit\u00e1ria, onde as pessoas est\u00e3o a morrer pouco a pouco e onde o governo n\u00e3o quer reconhecer oficialmente isto porque tamb\u00e9m estaria a reconhecer o seu pr\u00f3prio fracasso.<\/p>\n A Igreja sempre teve e ainda tem um papel claro e preciso: desde o in\u00edcio da ascens\u00e3o democr\u00e1tica do regime ao poder, a Igreja, atrav\u00e9s da Confer\u00eancia Episcopal Venezuelana, advertiu, denunciou e exortou contra as ideias erradas do governo; teve uma voz prof\u00e9tica que lhe trouxe, por um lado, o rep\u00fadio do partido no poder e dos seus seguidores e, por outro, tornou-se a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o com credibilidade e uma base moral face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o desastrosa do pa\u00eds.<\/p>\n Actualmente, quando a crise atingiu n\u00edveis inimagin\u00e1veis, a Igreja, atrav\u00e9s dos diferentes agentes pastorais, tentou responder a tantas necessidades, concretamente com cantinas paroquiais, cuidados de sa\u00fade, atrav\u00e9s da C\u00e1ritas, mas n\u00e3o foi suficiente e a grande insist\u00eancia \u00e9 pedir ao mundo ajuda humanit\u00e1ria, que o governo n\u00e3o aceita nem autoriza.<\/p>\n \u00c9 importante lembrar que sacerdotes, consagrados e outros agentes pastorais, que s\u00e3o a for\u00e7a motriz da Igreja, tamb\u00e9m s\u00e3o afectados pela crise humanit\u00e1ria, sacerdotes e religiosos j\u00e1 morreram por falta de medicamentos, nos semin\u00e1rios, conventos, escolas, comunidades religiosas tamb\u00e9m est\u00e3o a passar fome; agora mais do que nunca a Igreja venezuelana est\u00e1 a ser testada, porque com a fome tem de alimentar o povo faminto, com a doen\u00e7a tem de curar os feridos do povo, e numa situa\u00e7\u00e3o de desespero e caos tem de dar testemunho de que confia plenamente no Deus que providencia tudo.<\/p>\n O meu bispo enviou-me para Roma precisamente para servir o povo faminto.<\/p>\n Eu queria estudar Liturgia para estudar em profundidade a arte de celebrar o Mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o entre o povo e para o povo. O Bispo concordou imediatamente com o meu pedido e come\u00e7\u00e1mos a tomar provid\u00eancias para podermos vir a Roma para estudar, mas n\u00e3o foi muito f\u00e1cil por muitas raz\u00f5es: primeiro a econ\u00f3mica, uma vez que a Venezuela j\u00e1 estava a sofrer as consequ\u00eancias da profunda deteriora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; depois eu j\u00e1 tinha mais de 40 anos de idade.<\/p>\n Mas temos um ditado que diz o seguinte: \"o que pertence ao sacerdote vai para a Igreja\", no sentido de que se um projecto est\u00e1 nos planos de Deus, os obst\u00e1culos s\u00e3o apenas etapas para o alcan\u00e7ar, e assim aconteceu que o Senhor abriu a possibilidade atrav\u00e9s de um colega sacerdote da minha diocese que est\u00e1 a estudar em Roma: Atrav\u00e9s de um colega seu, descobriu que um p\u00e1roco em Roma procurava um p\u00e1roco estudante como colaborador na sua par\u00f3quia, e foi assim que Deus me abriu o caminho e me guiou a vir a Roma atrav\u00e9s do Vicariato como colaborador da par\u00f3quia.<\/p>\n \u00c9 maravilhoso, ensina realmente a universalidade da Igreja: ir a Roma, poder ser formado e regressar \u00e0 diocese para melhor servir o povo venezuelano.<\/p>\n \"Estou consciente de que quando regressar \u00e0 Venezuela, seja qual for a miss\u00e3o que o Bispo me confie, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, sei que encontrarei um povo em agonia, que devo consolar, pe\u00e7o a Deus todos os dias que me ajude a renovar a minha f\u00e9 e a minha voca\u00e7\u00e3o para poder confiar n'Ele e dar o melhor de mim, em favor da minha Igreja e do meu pa\u00eds.<\/p>\n Se a situa\u00e7\u00e3o permanecer como est\u00e1 agora, seria muito dif\u00edcil porque seria ver o povo morrer sem solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis, e eu acredito que Deus n\u00e3o permitir\u00e1 isso, e se o governo mudar a sua postura radical e criminosa, a recupera\u00e7\u00e3o da Venezuela ser\u00e1 muito lenta e dif\u00edcil, mas \u00e9 aqui que a Igreja em todos os seus membros tem um papel importante, que seria o grande desafio dos crist\u00e3os, dos sacerdotes, das pessoas consagradas, n\u00e3o para procurar culpados, mas para criar valores e consci\u00eancia de modo a n\u00e3o repetir a hist\u00f3ria.<\/p>\n A grande quest\u00e3o de muitas pessoas fora do pa\u00eds \u00e9 como posso ajudar, a principal ajuda \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica para que Deus tenha miseric\u00f3rdia destas pessoas, e lhes conceda fidelidade no julgamento para que depois da morte possam ser ressuscitados com gl\u00f3ria.<\/p>\n Materialmente, \u00e9 um pouco complicado uma vez que n\u00e3o existe um canal humanit\u00e1rio, a ajuda em medicamentos e alimentos deve ser feita de forma muito inteligente, h\u00e1 muitas pessoas de boa vontade que criaram associa\u00e7\u00f5es e recolhem medicamentos e dinheiro para pagar remessas particulares que enviam para diferentes institui\u00e7\u00f5es de caridade nas dioceses da Venezuela, Outros ajudam cobrindo directamente as despesas alimentares dos seminaristas atrav\u00e9s das dioceses, e outros ajudam os padres que est\u00e3o a ser treinados fora do pa\u00eds a regressar melhor preparados para enfrentar esta crise humanit\u00e1ria. Neste momento, o povo precisa de muita companhia e encorajamento e o Senhor f\u00e1-lo atrav\u00e9s dos ministros e mission\u00e1rios que d\u00e3o testemunho de que Cristo est\u00e1 no meio do povo sofredor para consolar e salvar.<\/p>\n Pe\u00e7o a Deus e \u00e0 Sant\u00edssima Virgem Maria, sob o patroc\u00ednio de Coromoto, que nos mantenham firmes na f\u00e9 e s\u00f3lidos na esperan\u00e7a, para que possamos ser fi\u00e9is \u00e0 nossa voca\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o no meio da dif\u00edcil prova.\".<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Elio Azuaje Villegas es un sacerdote venezolano de la di\u00f3cesis de Trujillo que lleva en su sangre la pasi\u00f3n y el calor de su pueblo. \u00abMi historia es una historia muy venezolana, pues nac\u00ed en Caracas de padres Trujillanos que hab\u00edan emigrado a la capital a ra\u00edz del \u201cBum\u201d petrolero de los a\u00f1os 60 en […]<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"give_campaign_id":0,"footnotes":""},"tags":[120],"pcatd":[],"cantidad":[],"continente":[],"estadobeca":[3],"class_list":["post-181808","candidatos","type-candidatos","status-publish","format-standard","hentry","tag-sacerdote","estadobeca-en-curso"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/candidatos\/181808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/candidatos"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/candidatos"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/candidatos\/181808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":219022,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/candidatos\/181808\/revisions\/219022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181808"},{"taxonomy":"pcatd","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pcatd?post=181808"},{"taxonomy":"cantidad","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/cantidad?post=181808"},{"taxonomy":"continente","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/continente?post=181808"},{"taxonomy":"estadobeca","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundacioncarf.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/estadobeca?post=181808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}